Beyoncé o fez, coincidência?

Queria ser poeta, para derramar tuas lágrimas!

Ter talento o suficiente para convencer Carlinhos Brown, João Carlos Salles, Gilberto Gil e todos os astres da hora de vestir a camisa da Reaja! Convencer esta “gente de poder” a usar e abusar dos holofotes, assim com Beyoncé acabou de fazer. Queria poder convencer tod@s que o racismo mata negr@s, que o genocídio do povo negro está acontecendo…

Mas, além de ser homem e branco, sou francês. O que não facilita o exercício da cidadania por este lado do mar. Mas vamos lá, com nossa gota d’água, sem mais demora nem poesia.

Não derramei lágrimas ontem ao participar, único representante docente da UFBA, do ato de memória à Chacina do Cabula promovido pela Campanha Reaja. Não chorei, ao ver as mães presentes, fortes de não sei que coragem enraizado em uma tradição plurissecular de resistência e luta, chorar. Não foi meu filho que morreu.

Não derramei lágrimas quando Peu Meurray contou, no palco do Ghetto Square, sexta-feira passada, como a mãe dele era orgulhoso deste menino que conseguia tirar som de qualquer lata. Talvez por isso foi convidado a participar do Festival Nalata. Não porque fez doutorado como bem queria.

Mas choro. Todo dia, interiormente, por isso e aquilo. Este é o preço a pagar pela empatia.

Choro e sofro principalmente ao pensar nos mortos injustiçado, e em algumas coincidências, que se forem fortuitas, então preciso parar de pensar!

  • Coincidência os maus-tratos e humilhações cotidianos das famílias da Vila Moisés e Engomadeira?
  • Coincidência as ameaças aos militantes da Campanha Reaja e aos moradores das vizinhança da Chacina?
  • Coincidência as contradições explicitas entre o inquérito do Ministério Público, órgão formalmente independente do poder político, e este da Policia Civil, sob comando do Governador?
  • Coincidência, a decisão de uma juíza substituta (tirando as férias do juiz oficialmente responsável) que declara INOCENTES os 9 PMs inculpados, após ter analisado, em alguns dias apenas, mais de 1000 páginas de um processo com conteúdo suficiente para derrubar um Rui Costa e seu secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa em qualquer democracia que se respeita?

Queridos leitores, ficar calado é ser cúmplice. Não basta ser lúcido. Precisamos agir e exigir a:

                           IMEDIATA FEDERALIZAÇÃO DA CHACINA DO CABULA

Junto com a Campanha Reaja, Justiça Global, a OAB-BA e várias outras instituições, organizações, entidades, movimentos populares e pessoas, podemos SIM impedir o esquecimento da Chacina do Cabula, triste exemplo da ESCANDALOSA IMPUNIDADE da Policia Militar.

A ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) estão acompanhado este caso, já tão famoso pelas declarações insanas do Governador da Bahia.

Teve que se retratar publicamente “ele”, depois de ter declarado que todos os mortos tinham passagem na policia.
Só 2 tinham e ainda, por embriaguez no carnaval.

Mas não pediu desculpas, O Rui Costa, pelas falas absurdas e irresponsáveis que fez na mídia, comparando a arte de “fazer gol” com esta de “matar gente”! Que desgraça!

E por incrível que parece, segundo este mesmo governador, matar cachorro justifica a expulsão dos profissionais responsáveis!

Governador, o que justificaria lhe expulsar do poder, junto com os responsáveis das inúmeras chacinas cotidianas do povo negro?

Enquanto isso, os noves PMs inculpados pelo Ministério Público estão soltos para matar. O que fazem, com uma excelência acadêmica sinistre. Só estes últimos dias, as vésperas do ato de memória do aniversário de um ano da chacina do Cabula, foram  5 mortos na Engomadeira e nas imediações da Vila Moisés.

Coincidência?

 

III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro – Comunicado Nacional e Internacional

Das Lutas

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III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro

Comunicado Nacional e Internacional

Em agosto de 2015 teremos a III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro. A Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro não é uma ação que começa e se encerra num evento, numa data predeterminada. Trata-se de um conjunto de ações permanentes e articuladas que ocorrem o ano inteiro, através de enfrentamentos, debates, ações, articulações, serviços comunitários e construção de espaços de solidariedade em vilas, favelas e prisão.

A Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro organizada pela Campanha Reaja desde sua primeira edição e cujo processo de construção e organização, há dez anos, é uma marcha autônoma em relação a governos e partidos, não aceita em suas fileiras bandeiras, panfletagem ou propaganda que não seja compatível com a construção de uma organização internacional de luta Panafricanista, Quilombista, Negro-Comunitária.

Nossa Marcha não é Periférica…

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Esta causa não é minha?

Em dezembro de 2014, caminhando pelo bairro dos Barris, um “amigo”, muito íntimo por sinal, me perguntou: “Espero que a França seja melhor do que aqui!”. Fiquei constrangido e curioso em saber de qual “melhor” se tratava. Após algumas tentativas minhas de adivinhação, este meu “amigo” me revelou seu pensamento: “Espero que na França tenha menos pobres do que aqui…”. “Olhe, não é bem simples assim” respondi.

No início deste mês de julho de 2015, fui a Porto Alegre participar de um evento cientifico da minha área de atuação profissional, o Fórum Internacional de Software Livre FISL-2015. Ao trilhar os passeios da PUC-RS e cruzar pelas avenidas do centro da cidade, lembrei da pergunta do meu “amigo” e pensei em mim mesmo: “Onde estão os pobres do Rio Grande do Sul? Pois aqui me parece que estou na Europa, ou numa das suas réplicas sul-americanas!”

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Uma bela praça de Porto Alegre

De fato, naquela capital deste estado, vi mendigos nas ruas, sofrendo do frio em abrigos precários. Também soube de uma bairro na periferia, distante de 16km do centro. Restinga. Me disseram que neste bairros e outras periferias, a população é mais pobre, para não dizer negra. Mas, no centro da cidade, me senti como no centro de Paris, minha cidade natal. Centro cosmopolita, cheio de uma diversidade étnica no meio de uma maioria branca. E com uns poucos pobres nas beiradas dos passeios e de baixo de pontes. Curti muitas superfícies de concreto embelezadas por artes urbanas das mais variadas. Usufrui de um sistema de transporte decente e eficiente, apesar de caro. Dava tranquilo para fingir ser mais um brasileiro no meio de tantos outros. Em fim, me senti parisiense…

Nunca tive a coragem de ir para alguns dos países francofones da África do Oeste (Mauritânia, Senegal, Mali ou Guiné) onde tudo me levava. Dança, Cultura, Amizades… Nem para visitar, muito menos para viver. Pois sempre pensei que no espaços urbanos destes países, nunca teria como deixar de ser um “gringo”, francês, herdeiro de uma família burguês e cidadão de uma estado colonial até hoje, co-responsável por explorações, guerras e genocídios no continente Africano e no Mundo. Por isso, nunca consegui comprar uma passagem de avião para Dakar, Bamako ou qualquer outra capital desta região do Mandingo. E não é por falta de interesse pelas culturas e tradições destas regiões. Pois, danças, músicas e tradições oral do Mandingo me acompanham e me fortalecem desde minha prima adolescência. É que eu sabia que a cicatriz colonial escravocrata nunca me permitiria o “anonimato” nas ruas de Ziguinchor ou de Mopti, Nunca poderia andar nos espaços públicos, me sentindo um cidadão qualquer no meio de outros.

Por estes e outros motivos, arrisquei vir morar em Salvador-BA, há mais de uma década já. E realmente, andando pelas ruas de Salvador, consigo me iludir. Acreditar que não sou mais aquele “gringo”. Apesar de saber que estou continua e positivamente discriminado, principalmente pela PM e as elites que dominam esta cidade. Sou agradecido, todos os dias, pelo acolhimento que recebi e recebo no Brasil, tanto na academia quanto nas favelas. Sou muito bem tratado. Demais.

Obvio que em alguns lugares, nos quais acabo andando por um misto de amizade, teimosia, arrogância inconsciente, sei que minha branquitude me torna alvo de interesses financeiros. Que posso sim ser “assaltado”. Que seja. Isto é o preço a pagar por ter escolhido morar no Brasil. Inclusive, eu também andava em lugares considerados “perigosos” na França. Mas não foi em nenhuma “cité” nem favela, mas sim dentro do campus da USP em 1993, que sofri a agressão a mão armada a mais violente e perigosa da minha vida, por parte de policias a paisana! Provavelmente porque naquele dia, andávamos discutindo com minha namorada, negra.

Voltando a este meu amigo e aos mendigos daqui e dali. Horas depois daquela pergunta, ele voltou a me procurar sobre este assunto e eu disse: “os povos economicamente pobres da França nem todos estão na França. Na sua grande maioria, estão no Vietnã (ex-Indochina), em Madagascar, na Argélia, no Senegal, no Mali, na Guiné, etc.” Isto se chama globalização e histerese da história causada pela ausência de políticas mundiais de Reparação.

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Quem disse que o Brasil “colonia! acabou?

Concluindo.

Esta minha visita à Porto alegre me fez perceber com mais acurácia que as regiões ao sul do triângulo SP-Rio-Brasilia são para as regiões nortes do Brasil e as grandes favelas das periferias urbanas o que a África é para a Europa: o lugar de cerceamento das tradições populares e das populações mais pobres e descriminadas da nossa época. Parece milagre que, apesar do genocídio continuo do povo negro pelos braços armados do Estado desde mais de quatro centos anos, seja destas comunidades, famílias e povos que possa se fortalecer e se espalhar um modelo alternativo de organização da sociedade mais justo, solidário e respeitoso das vidas humanas e das diversidades culturais.

Sim, esta causa é minha.

Reaja!

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Convergindo Tod@s para Salvador, 22 de agosto de 2015

Pelo direito de tod@s a viver suas adolescencias!

Nos países envelhecendo da Europa e de outros lados, a adolescência vem se alongando regularmente! Hoje, considera-se facilmente que o jovem adulto que ainda não casou, permanece na casa dos pães e não tem renda própria ainda é uma adolescente. Isto vale até mesmo a idade fatídica de 33 anos! Não sou defensor de tal extremo, mas é de se se considerar que o alongamento da esperança de vida dos seres humanos e o aumento regular da complexidade da sociedade humana provoca o alongamento do período educativo das crianças.

Por isso e mais algumas razões expostas em https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/.  sou radicalmente a favor do atraso da maioridade penal e cidadã a 21 anos!

Ou, pelo menos pela sua manutenção a 18 anos!

Por uma sociedade verdadeiramente educadora! Nenhum passo atrás!

Drogas ilegais? Gosto tanto quanto das legais!

Não resisto a tentação de convidar a tod@s para ler o excelente artigo 10 razões para legalizar as drogas publicado no “Le Monde Diplomatique” por John Greeve, comandante, membro da Unidade de Inteligência Criminal de Scotland Yard

_1114782_john_grieve2_pa_150Gente, quando será que os comandantes das forças de segurança pública no Brasil adotarão um verdadeiro discurso pedagógico sobre tais questões fundamentais? Será que teremos de esperar a alternância politica e a volta das forças de “esquerda” para oposição/rua?

Servidor do Rei!

Depois de 10 dias em greve remunerada, estou ficando doente.
Doente de estar em luta e receber meu salário. Pois, na minha compreensão,
existe um paradoxe intrínseco a greve remunerada.
A greve é um instrumento justo, legítimo e legal contra a dominação do Rei

-o governo eleito pelo povo numa democracia- e dos notáveis.
Mas como posso estar em greve contra o Rei e ao mesmo tempo,
receber subsídios do Rei para a minha manutenção,
e consequentemente, para a manutenção da greve?

Greves remuneradas são férias forçadas para a maioria dos servidores.
Para poucos radicais, inclusive eu, greve ainda é um instrumento de luta.
Mas a remuneração da greve pelo Rei a torna inócua.

Um diretor de unidade amigo meu bem me disse.
“Com greves remuneradas, quero estar em greve a vida toda”.
Durante a greve, a pós-graduação, a pesquisa, a extensão não param,
nem as viagens à Chapada, em Imbassaí ou ao exterior.
Também não param as tardes no Shopping Salvador…

De fato, por que ensinar? Por que corrigir provas? É tão bom estar em greve remunerada.

E por que são remuneradas, estas greves dos servidores públicos, no Brasil?
Por que é isto que se faz no Mundo? Não.
Pois o Brasil é um dos únicos países no qual funcionários têm este privilégio.
Para só citar o meu país de origem, tão citados por pesquisadores da academia brasileira,
o governo francês não dá este privilégio aos seus servidores. Receber sem trabalhar.
Nem o Reino Unido, nem os Estados-Unidos. Mas era de se esperar de democracias velhas e tão opressoras dos trabalhadores.

O Brasil então é exemplar. Permite que o servidor público receba sem trabalhar.

Basta estar em “greve legal”! Infelizmente, não. Isto não é bem um direito conquistado pelos trabalhadores de alta luta.

Inclusive, trabalhadores não funcionários não recebem salários durante suas greves.
Fazem o que todo qualquer grevista está acostumando a fazer.
Fundos de solidariedade, atraso nos seus pagamentos e no fim da greve, -quando já não foram demitidos- negociam com os patrões, a pauta da greve e a reposição salarial.

E nós servidores, o que fazemos no fim da greve?
Nada. Voltamos a trabalhar. Professores, às vezes, repõem aulas. Menos mal.

Por isso e aquilo, tenho vergonha de estar em greve.
E prometo, farei o mesmo encaminhamento em todas as assembleias.
“Solicitamos que o Rei corte os nossos salários desde o primeiro dia da greve!”
Ao fim da greve, que certamente acontecerá com mais rapidez desde que este encaminhamento seja aprovado, negociaremos reposições de salários, de aulas, de pesquisas, de extensões, por mais que seja preciso.

Só assim poderei me sentir feliz de estar em greve.
Adquirindo a convicção que não sou o palhaço de uma minoria de extremistas e de uma maioria de omissos.
Sabendo que não sou mais um servidor feliz de gozar dos seus privilégios, não dados pelo povo, mas sim pelo Rei.

Pois é privilégio “receber sem trabalhar”.
Privilégio digno dos cargos de notáveis distribuídos alguns anos atrás pelo Imperador do Brasil.
Vamos enxergar, meu povo, nossos privilégios por mais que isto doa no bolso!

e se sobrar apenas um, serei eu!

Não fazer NADA, é ser cúmplice!

Quando o próprio Ministério Público da Bahia denuncia execuções sumárias,
temos que exigir o julgamento imediato dos responsáveis!

Heróis não existem. Necessidades sim, ai de nós!

Não pretendo esperar que um filho, meu ou seu, seja morto porque foi comprar uma pizza, encontrar a namorada ou simplesmente fumar um cigaro de marijuana, para me sentir responsável pelo genocídio que está acontecendo todos os dias do ano nesta terra da Bahia e do Brasil.

Sei que outros sofrem e morrem em outros lugares. Mas no momento, estou aqui, e minha família também.

Portanto, é aqui que tenho que AGIR! Para proteger a minha família Negra!

Não sendo poeta, pego emprestado aqui umas letras do ilustre Victor Hugo e recomendo a tod@s, a leitura do poema completo em francês ou em inglês:


J’accepte l’âpre exil, n’eût-il ni fin ni terme,
Sans chercher à savoir et sans considérer
Si quelqu’un a plié qu’on aurait cru plus ferme,
Et si plusieurs s’en vont qui devraient demeurer.

Si l’on n’est plus que mille, eh bien, j’en suis ! Si même
Ils ne sont plus que cent, je brave encor Sylla ;
S’il en demeure dix, je serai le dixième ;
Et s’il n’en reste qu’un, je serai celui-là !

“Crise de Segurança Pública”: um sinônimo para “Genocídio do Povo Negro”!

A democracia brasileira está em perigo! A crise acirrada de “Segurança Pública”  denunciada por Atila Roque, diretor da Anistia Internacional atinge principalmente as populações jovens e mais frágeis do Brasil, aquelas historicamente marginalizadas economicamente pelo processo de colonização escravocrata europeu das Américas. Assim como explica Ricardo Cappi:

O discurso sobre o jovem hoje é pautado numa visão amedrontada e amedrontadora. Se temos uma população amedrontada, esta sempre irá preferir candidatos que demonstrem ter a mão forte e o punho duro. Então o medo é rentável politicamente.” em ‘O medo é politicamente rentável’

E se o jovem é perigoso, então ele pode ser abatido, como aconteceu recentemente na chacina da Vila Moisés em Salvador.

Ainda segundo Cappi: “Não há um alarme em relação aos 50 mil, 60 mil mortos que temos anualmente no Brasil. Em duas décadas isso dá mais de um milhão de mortos, o que é superior a qualquer conflito armado contemporâneo.

E quando se junta a estes dados os fatos que a maioria dos homicídios são cometidos pela policia militar e atinge jovens negros, caracteriza-se então de forma explicita o acontecimento de um prática de exterminação de uma parte da população brasileira, por critérios étnicos, culturais, sociais, ou seja pela sua raça. Durante o processo de Nuremberg em 1944, tal prática recebeu o sinistre nome de genocida.

Não que genocídios não ocorreram antes na história. O trafego negreiro, o genocídio dos Armenianos, a exterminação dos Hererós e Namaquas no início do século são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos de genocídios. Mas só receberam esta nomeação depois de 1944, quando o conceito de genocídio veio às luzes do Tribunal Internacional de Nuremberg. Pois se tratava então do massacre de Judeus Brancos por não judeus, brancos também…

Em fim. Veio para ficar e percebeu-se que as formas de genocídio foram muitas no decorrer da história da humanidade, e que ainda cria-se novas formas, assim como podemos observar no República Federal do Brasil, que constituí certamente o maior apartheid pós-colonial da nossa época.

Na sua fala, em Washington DC (EU) no mês de fevereiro 2015 em frente a Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), o representante da Campanha Reaja denuncia com firmeza e compromisso tais acontecimentos. Vale a pena ganhar 7 minutos assistindo a fala de Hamilton Borges Onirê, pois aqueles que ainda ignoram ou negam a existência da Crise de Segurança Pública, ou seja, do Genocídio do Povo Negro no Brasil precisam acordar. Urgentemente!

Policia sim, Militar NÃO!!! Direito para Tod@s, já!

Pela primeira vez na sua já longa e honorável história, a mais respeitável ONG trabalhando com direitos humanos no mundo, Anistia Internacional (AI) está lançando uma campanha para lutar contra os homicídios de jovens negr@s no Brasil: Jovem Negr@ Viv@. Segundo AI:

Segundo AI: “Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados”.

Por um lado, isto é uma grande vitória para os movimentos e organização denunciado tais fatos há anos, tal como o Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta.

Por outro lado, isto vem confirmar, para aqueles que ainda duvidariam, que a situação no Brasil está além de crítica. Pois Anistia Internacional só se mobiliza para as causas políticas e as violações de direitos humanos as mais críticas no mundo!

Já na introdução ao relatório anual de 2015, publicado em fevereiro passado, AI afirma, a respeito do Brasil:

Serious human rights violations continued to be reported, including killings by police and the torture and other ill-treatment of detainees. Young and Black residents of favelas (shanty towns), rural workers and Indigenous Peoples were at particular risk of human rights violations…”  — Ler mais

E sobre a chacina perpetrada pela Policia Militar baiana no Cabula no início de 2015, o conselheiro em direitos humanos de AI, Alexandre Ciconello, publicou no Huffington Post ou seguinte comentário:

The tragic event should have sent shockwaves through Brazil. But it didn’t. Instead, the Bahia state Governor, Rui Costa, sent a message to the “brave” police officers, lauding their “heroic” work…

Ciconello faz aqui referência as declarações escandalosas e absurdas proferidas pelo governador, ao comentar a ação da PM no Cabula.

Por isso e aquilo, convido tod@s a apoiar a campanha Jovem Negr@ Viv@, o Reaja e todos os movimentos que estão ajudando o Brasil a se tornar uma verdadeira democracia! Não existe democracia sem liberdade de expressão e não existe liberdade sem respeito dos direitos, humanos!

Embora fortalecer a sede do povo brasileiro para mais justiça social e racial! Civilizar a policia (garantir que a policia não seja mais militar)! Impedir a redução da maioridade penal!

Em fim, lutar contra o pseudo-apartheid socio-econômico brasileiro e  fazer deste país um verdadeiro estado de direito, para tod@s!!

Aqui vai a verdadeira opinião de Fernando Conceição.

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Resposta do Professor Fernando Conceição na lista debates-l da UFBA à mensagem enviada pelo Professor João Carlos Salles nesta mesma lista e reproduzida em várias páginas do Facebook, à exemplo de UFBA 

Vale lembrar que a resposta de João Carlos Salles veio como uma réplica a mensagem por mim enviada para esta mesma lista debates-l e publicada aqui  

 

Prezado Prof. João Salles Pires da Silva,

desde já declaro meu respeito e estima pessoal pelo colega, de trajetórias política e acadêmica respeitáveis. Torço para que faça uma feliz campanha pela disputa à Reitoria da UFBA, embora, como já anteriormente aqui informei, meu voto é do nosso também admirável Prof. Nelson Pretto.

É uma opção política que faço, riscando o colega das minhas preferências por conta daquilo que em mensagem que gerou vossa resposta a mim, apontou o Prof. Paul Regnier.

Sua resposta, aliás, deixa de lado o ponto nevrálgico apontado pelo Prof. Regnier, relativo à suposição de que, eleito ao comando desta UFBA, sua administração estaria comprometida com o projeto de poder que faz quase 8 anos governa a Bahia. Ao qual faço sérias restrições e acuso de conivente com o genocídio do povo negro deste Estado, além de outros descalabros administrativos.

Como democrata, sou a favor da alternância no poder. Razão porque me engajarei na derrota da chapa Rui Costa/João Leão empurrada por Jaques Wagner/Otto Alencar. Se trabalhar pela derrota de tal projeto passa por negar meu voto ao ilustre colega João Salles Pires da Silva, assim o farei.
Como o senhor, em sua resposta a mim, não negou essa suposição de alinhamento, que se constituirá em fato gravíssimo à autonomia da Universidade perante governos -, suposição baseada na análise do seu arco de apoio político-partidário nessa campanha à Reitoria da UFBA -, deixa margem à confirmação da hipótese.

Não se trata aqui de criticar atabalhoadamente seu arco de alianças, à maneira como quer nos fazer acreditar, como se ingênuos fôssemos todos, o Prof. Waldomiro Silva Filho, ao defender o voto no seu projeto de poder, alegando sua capacidade de “dialogar tranquilamente com pessoas de diferentes posições políticas”. É justamente essa “tranquilidade” que deveria nos intranquilizar – vez que não se trata, no caso da disputa pela Reitoria, de obter a vitória a qualquer custo, ainda mais a custa do atrelamento ideológico-partidário da Academia.

Talvez seja querer demais, mas penso que a Universidade deveria resistir à tentação de se deixar corromper pelo oportunismo eleitoreiro. A sociedade necessita de uma gestão universitária crítica aos desmandos governamentais que assistimos, por conta do silêncio de supostos intelectuais que servem não à sociedade, mas ao Partido, por adesistas que se fizeram.

Em sua resposta a mim dirigida o senhor mira exclusivamente na justificativa de suas opiniões quanto ao veto que fez, quando diretor da FFCH, à construção de uma residência universitária em terreno limítrofe às comunidades do Alto das Pombas e Calabar, de onde eu vim. A base do seu veto é aquilo que o senhor diz ser “a vizinhança do tráfico” [de drogas], afirmando inclusive que a área seria dominada por traficantes. Desculpe, mas o senhor estava, como ainda permanece, equivocado. E perdeu, com o veto, a oportunidade de fazer a Universidade dialogar melhor com a comunidade – que está ali muito antes do campus de São Lázaro.

A comunidade não é nem nunca foi dominada por traficantes. Eu e milhares de moradores não o somos nem aceitamos essa pecha – moto de todo o trabalho e toda a luta política que ali desenvolvemos, criando escolas modelos, grupos culturais, alternativas de geração de renda-emprego, grupos de mulheres e de jovens, equipes de esportes que disputam campeonatos regionais, estaduais e nacionais saindo-se vitoriosas.

O senhor perdeu a chance de rever a visão elitista e preconceituosa em relação a essas comunidades. Todas as manhãs que chego para dar aulas na Facom, ou à tarde ou à noite, quando saio, encontro pessoas no vão de entrada consumindo drogas tranquilamente. No campus de São Lázaro o senhor sabe que o mesmo ocorre, e na Politécnica, e nas áreas verdes dos PAFs etc. Essa droga não dá por geração espontânea nos campi da UFBA. Ainda assim, são os moradores do Calabar e do Alto das Pombas os responsáveis pelas disputas advindas da enorme demanda de gente diferenciada como nós, a inteligência que quer comandar a Reitoria… Como são as vítimas do genocídio que vimos nas últimas semanas as responsáveis por terem sido mortas, como cinicamente difunde o discurso oficial.

Desejo boa sorte à sua candidatura, candidato.

Fernando Conceição.

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