Arquivo mensal: junho 2013

Mobilidade: um bem público, direito de todos!

Impossibilitar a mobilidade dos cidadãos é a melhor forma de controle político-social para garantir o mantimento da ordem econômica e social, a qual tem muitas vezes a forma de um pseudo-apartheid racial no Brasil.

Pois, impedir “quem não tem” de transitar significa pelo menos dificultar, se não é, impedir, a participação de uma fração significativa da população nos movimentos sociais e políticos, tão necessários à respiração da democracia.

De fato, o exercício pleno da cidadania requer o acesso às organizações e instituições públicas, as quais se encontram muitas vezes nos centros das cidades, privando os moradores das regiões periféricas da possibilidade de exercitar seus direitos fundamentais a justiça, educação e saúde. Sem falar dos acessos ao mercado de trabalho e as atividades culturais.

De fato, pagar 2 passagens todo dia por mês significa gastar quase 1/3 de um salário mínimo. Ou seja, aqueles que não trabalham ou não ganham o suficiente são condenados a andar, pedalar ou ficar em casa.

No entanto, financiar o transporte público gratuito e de qualidade é possível, porém passa por medidas radicais e politicamente corajosas, para não dizer arriscadas (do ponto de visto daqueles que sempre querem se reeleger):

  • Desprivatizar as empresas de transportes; a mobilidade é um bem público! Não deve estar ao serviço do lucro de empresários;
  • Aumentar o imposto sobre a gasolina e o álcool para carros individuais. Tanto se fala em desenvolvimento sustentável, mas pouco se pratica!
  • Aumentar o IPTU das zonas residenciais de classe média e alta.
  • Aumentar as taxas sobre as vendas de carros privados. (Estas duas medidas são realmente corajosas e arriscadas!)
  • Viabilizar os transportes alternativos (bicicleta, VLT, metrô, pistas reservadas para ônibus,…);
  • Aumentar as taxações das transações financeiras internacionais e sobre a renda do capital;
  • Aumentar as áreas pedestres nas cidades e cobrar os estacionamentos públicos;
  • Criar pedágios (públicos!) ou aumentar o valor destes…

Estas são apenas algumas propostas que permitiriam financiar parte ou totalidade dos custos do transporte público.

Mas, será que a esquerda reformista ainda tem fôlego para adotar uma pauta igual ou parecida a esta? E será que adotando tal pauta, de forma séria e compromissada, o PT, ou qualquer outro partido da esquerda reformista não ficaria engrandecido, aos olhos de muitos daqueles que estão saindo para as ruas nos dias de hoje?

O respeito se conquista. Pelos fatos e atos.

E por enquanto, os atos recentes das esquerdas reformistas deixaram a desejar, pelo menos aos olhos de muitos, inclusive que contribuíram a chegada destas no poder.

O restabelecimento da confiança dos cidadãos nos partidos políticos e movimentos da sociedade civil organizada passa pela adoção de pautas e práticas radicalmente diferente, priorizando justiça e ecologia política!

Basta de produtivismo! Receber a copa do mundo, para, depois da copa, não ter nem hospitais nem escolas dignos, mas sim estádios lindos e vazios, isto certamente não é coragem, mas sim demagogia!

Paul Regnier, tentando ser cidadã, em qualquer lugar…

 

Após ler este post, um amigo me enviou este link: http://www.economist.com/blogs/gulliver/2013/06/fares

De fato, a gratuidade do transporte poderia até ser interessante economicamente.

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Eleições na Facom: um olhar de Valmir Assunção, deputado federal

 

Fernando Conceição é candidato na Facom

 

Pela primeira vez a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom) terá um bate-chapa nas eleições diretas para diretor. E quem é protagonista nesse processo é o professor Fernando Conceição, 53, professor universitário e jornalista, que ao lado do decano da Facom, André Setaro, encabeça a chapa Preto no Branco, que pretende ser uma alternativa inovadora em todo o processo  da disputa com duas outras chapas concorrentes.

 

Preocupado com o que considera decante e em atrativos que permita a instituição dialogar com a comunidade, tanto acadêmica como fora dos muros da universidade, Fernando Conceição diz que a Facom precisa romper muros e ir dialogar com toda a Salvador. “É preciso que saiamos do isolamento e nos tornemos uma referência de parceria para a comunidade baiana”, diz, referindo-se à necessidade de atividades de extensão que transforme a faculdade em um espaço aberto a mostras de artes, cinema, fotografias, oficinas e festivais.

Valmir-MST

Nesse sentido Fernando vem buscando apoios fora dos limites da UFBA, como os movimentos sociais com os quais ele tem profundas relações e com lideranças políticas, como o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), um dos principais líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “A trajetória de luta de Fernando Conceição é conhecida não só junto aos movimentos negros, mas na própria universidade,, sendo pioneiro nos debates sobre as políticas públicas de ações afirmativas”, disse Valmir.

Fernando Conceição –  É jornalista formado na própria UFBA, em 1986. É professor-associado, pós-doutor na Alemanha e doutor em Ciências das Comunicações pela ECA/USP. É um dos fundadores do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade.

André Setaro – É decano, professor com mais tempo em atividade na Facom. É mestre e crítico de cinema e autor de diversos livros, crônicas e colunistas de vários jornais e portais brasileiros.