Arquivo mensal: abril 2015

“Crise de Segurança Pública”: um sinônimo para “Genocídio do Povo Negro”!

A democracia brasileira está em perigo! A crise acirrada de “Segurança Pública”  denunciada por Atila Roque, diretor da Anistia Internacional atinge principalmente as populações jovens e mais frágeis do Brasil, aquelas historicamente marginalizadas economicamente pelo processo de colonização escravocrata europeu das Américas. Assim como explica Ricardo Cappi:

O discurso sobre o jovem hoje é pautado numa visão amedrontada e amedrontadora. Se temos uma população amedrontada, esta sempre irá preferir candidatos que demonstrem ter a mão forte e o punho duro. Então o medo é rentável politicamente.” em ‘O medo é politicamente rentável’

E se o jovem é perigoso, então ele pode ser abatido, como aconteceu recentemente na chacina da Vila Moisés em Salvador.

Ainda segundo Cappi: “Não há um alarme em relação aos 50 mil, 60 mil mortos que temos anualmente no Brasil. Em duas décadas isso dá mais de um milhão de mortos, o que é superior a qualquer conflito armado contemporâneo.

E quando se junta a estes dados os fatos que a maioria dos homicídios são cometidos pela policia militar e atinge jovens negros, caracteriza-se então de forma explicita o acontecimento de um prática de exterminação de uma parte da população brasileira, por critérios étnicos, culturais, sociais, ou seja pela sua raça. Durante o processo de Nuremberg em 1944, tal prática recebeu o sinistre nome de genocida.

Não que genocídios não ocorreram antes na história. O trafego negreiro, o genocídio dos Armenianos, a exterminação dos Hererós e Namaquas no início do século são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos de genocídios. Mas só receberam esta nomeação depois de 1944, quando o conceito de genocídio veio às luzes do Tribunal Internacional de Nuremberg. Pois se tratava então do massacre de Judeus Brancos por não judeus, brancos também…

Em fim. Veio para ficar e percebeu-se que as formas de genocídio foram muitas no decorrer da história da humanidade, e que ainda cria-se novas formas, assim como podemos observar no República Federal do Brasil, que constituí certamente o maior apartheid pós-colonial da nossa época.

Na sua fala, em Washington DC (EU) no mês de fevereiro 2015 em frente a Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), o representante da Campanha Reaja denuncia com firmeza e compromisso tais acontecimentos. Vale a pena ganhar 7 minutos assistindo a fala de Hamilton Borges Onirê, pois aqueles que ainda ignoram ou negam a existência da Crise de Segurança Pública, ou seja, do Genocídio do Povo Negro no Brasil precisam acordar. Urgentemente!

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Policia sim, Militar NÃO!!! Direito para Tod@s, já!

Pela primeira vez na sua já longa e honorável história, a mais respeitável ONG trabalhando com direitos humanos no mundo, Anistia Internacional (AI) está lançando uma campanha para lutar contra os homicídios de jovens negr@s no Brasil: Jovem Negr@ Viv@. Segundo AI:

Segundo AI: “Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados”.

Por um lado, isto é uma grande vitória para os movimentos e organização denunciado tais fatos há anos, tal como o Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta.

Por outro lado, isto vem confirmar, para aqueles que ainda duvidariam, que a situação no Brasil está além de crítica. Pois Anistia Internacional só se mobiliza para as causas políticas e as violações de direitos humanos as mais críticas no mundo!

Já na introdução ao relatório anual de 2015, publicado em fevereiro passado, AI afirma, a respeito do Brasil:

Serious human rights violations continued to be reported, including killings by police and the torture and other ill-treatment of detainees. Young and Black residents of favelas (shanty towns), rural workers and Indigenous Peoples were at particular risk of human rights violations…”  — Ler mais

E sobre a chacina perpetrada pela Policia Militar baiana no Cabula no início de 2015, o conselheiro em direitos humanos de AI, Alexandre Ciconello, publicou no Huffington Post ou seguinte comentário:

The tragic event should have sent shockwaves through Brazil. But it didn’t. Instead, the Bahia state Governor, Rui Costa, sent a message to the “brave” police officers, lauding their “heroic” work…

Ciconello faz aqui referência as declarações escandalosas e absurdas proferidas pelo governador, ao comentar a ação da PM no Cabula.

Por isso e aquilo, convido tod@s a apoiar a campanha Jovem Negr@ Viv@, o Reaja e todos os movimentos que estão ajudando o Brasil a se tornar uma verdadeira democracia! Não existe democracia sem liberdade de expressão e não existe liberdade sem respeito dos direitos, humanos!

Embora fortalecer a sede do povo brasileiro para mais justiça social e racial! Civilizar a policia (garantir que a policia não seja mais militar)! Impedir a redução da maioridade penal!

Em fim, lutar contra o pseudo-apartheid socio-econômico brasileiro e  fazer deste país um verdadeiro estado de direito, para tod@s!!