Arquivo mensal: junho 2015

Pelo direito de tod@s a viver suas adolescencias!

Nos países envelhecendo da Europa e de outros lados, a adolescência vem se alongando regularmente! Hoje, considera-se facilmente que o jovem adulto que ainda não casou, permanece na casa dos pães e não tem renda própria ainda é uma adolescente. Isto vale até mesmo a idade fatídica de 33 anos! Não sou defensor de tal extremo, mas é de se se considerar que o alongamento da esperança de vida dos seres humanos e o aumento regular da complexidade da sociedade humana provoca o alongamento do período educativo das crianças.

Por isso e mais algumas razões expostas em https://18razoes.wordpress.com/quem-somos/.  sou radicalmente a favor do atraso da maioridade penal e cidadã a 21 anos!

Ou, pelo menos pela sua manutenção a 18 anos!

Por uma sociedade verdadeiramente educadora! Nenhum passo atrás!

Drogas ilegais? Gosto tanto quanto das legais!

Não resisto a tentação de convidar a tod@s para ler o excelente artigo 10 razões para legalizar as drogas publicado no “Le Monde Diplomatique” por John Greeve, comandante, membro da Unidade de Inteligência Criminal de Scotland Yard

_1114782_john_grieve2_pa_150Gente, quando será que os comandantes das forças de segurança pública no Brasil adotarão um verdadeiro discurso pedagógico sobre tais questões fundamentais? Será que teremos de esperar a alternância politica e a volta das forças de “esquerda” para oposição/rua?

Servidor do Rei!

Depois de 10 dias em greve remunerada, estou ficando doente.
Doente de estar em luta e receber meu salário. Pois, na minha compreensão,
existe um paradoxe intrínseco a greve remunerada.
A greve é um instrumento justo, legítimo e legal contra a dominação do Rei

-o governo eleito pelo povo numa democracia- e dos notáveis.
Mas como posso estar em greve contra o Rei e ao mesmo tempo,
receber subsídios do Rei para a minha manutenção,
e consequentemente, para a manutenção da greve?

Greves remuneradas são férias forçadas para a maioria dos servidores.
Para poucos radicais, inclusive eu, greve ainda é um instrumento de luta.
Mas a remuneração da greve pelo Rei a torna inócua.

Um diretor de unidade amigo meu bem me disse.
“Com greves remuneradas, quero estar em greve a vida toda”.
Durante a greve, a pós-graduação, a pesquisa, a extensão não param,
nem as viagens à Chapada, em Imbassaí ou ao exterior.
Também não param as tardes no Shopping Salvador…

De fato, por que ensinar? Por que corrigir provas? É tão bom estar em greve remunerada.

E por que são remuneradas, estas greves dos servidores públicos, no Brasil?
Por que é isto que se faz no Mundo? Não.
Pois o Brasil é um dos únicos países no qual funcionários têm este privilégio.
Para só citar o meu país de origem, tão citados por pesquisadores da academia brasileira,
o governo francês não dá este privilégio aos seus servidores. Receber sem trabalhar.
Nem o Reino Unido, nem os Estados-Unidos. Mas era de se esperar de democracias velhas e tão opressoras dos trabalhadores.

O Brasil então é exemplar. Permite que o servidor público receba sem trabalhar.

Basta estar em “greve legal”! Infelizmente, não. Isto não é bem um direito conquistado pelos trabalhadores de alta luta.

Inclusive, trabalhadores não funcionários não recebem salários durante suas greves.
Fazem o que todo qualquer grevista está acostumando a fazer.
Fundos de solidariedade, atraso nos seus pagamentos e no fim da greve, -quando já não foram demitidos- negociam com os patrões, a pauta da greve e a reposição salarial.

E nós servidores, o que fazemos no fim da greve?
Nada. Voltamos a trabalhar. Professores, às vezes, repõem aulas. Menos mal.

Por isso e aquilo, tenho vergonha de estar em greve.
E prometo, farei o mesmo encaminhamento em todas as assembleias.
“Solicitamos que o Rei corte os nossos salários desde o primeiro dia da greve!”
Ao fim da greve, que certamente acontecerá com mais rapidez desde que este encaminhamento seja aprovado, negociaremos reposições de salários, de aulas, de pesquisas, de extensões, por mais que seja preciso.

Só assim poderei me sentir feliz de estar em greve.
Adquirindo a convicção que não sou o palhaço de uma minoria de extremistas e de uma maioria de omissos.
Sabendo que não sou mais um servidor feliz de gozar dos seus privilégios, não dados pelo povo, mas sim pelo Rei.

Pois é privilégio “receber sem trabalhar”.
Privilégio digno dos cargos de notáveis distribuídos alguns anos atrás pelo Imperador do Brasil.
Vamos enxergar, meu povo, nossos privilégios por mais que isto doa no bolso!

e se sobrar apenas um, serei eu!

Não fazer NADA, é ser cúmplice!

Quando o próprio Ministério Público da Bahia denuncia execuções sumárias,
temos que exigir o julgamento imediato dos responsáveis!

Heróis não existem. Necessidades sim, ai de nós!

Não pretendo esperar que um filho, meu ou seu, seja morto porque foi comprar uma pizza, encontrar a namorada ou simplesmente fumar um cigaro de marijuana, para me sentir responsável pelo genocídio que está acontecendo todos os dias do ano nesta terra da Bahia e do Brasil.

Sei que outros sofrem e morrem em outros lugares. Mas no momento, estou aqui, e minha família também.

Portanto, é aqui que tenho que AGIR! Para proteger a minha família Negra!

Não sendo poeta, pego emprestado aqui umas letras do ilustre Victor Hugo e recomendo a tod@s, a leitura do poema completo em francês ou em inglês:


J’accepte l’âpre exil, n’eût-il ni fin ni terme,
Sans chercher à savoir et sans considérer
Si quelqu’un a plié qu’on aurait cru plus ferme,
Et si plusieurs s’en vont qui devraient demeurer.

Si l’on n’est plus que mille, eh bien, j’en suis ! Si même
Ils ne sont plus que cent, je brave encor Sylla ;
S’il en demeure dix, je serai le dixième ;
Et s’il n’en reste qu’un, je serai celui-là !