Arquivo mensal: fevereiro 2017

Perdido, Sem Sono, em Salvador!

Quem sou eu? Os meus amigXs? Quem são elXs?
Sou “branco” e gosto de muitas culturas negras.

Amadou Hampaté Ba? Li sua obra, inteira, quando eu era adolescente;
Dancei com 15 ou 16 aos sons dos Djembês, Sabar, GwoCa e outros tambores. Porque?
Vivo em Salvador, cidade túmulo e linda, cheia de flores, dança e lixos.

Tenho amigXs, quem são? De muitas culturas.

Quem sou eu? Empatia.
Será que posso ser empata de mim mesmo?
Não levarei nada! Deixarei apenas um rastro.
Quem lembrará de mim. Quanto tempo?
O que serei além da minha própria vida?
dos meus atos, dos meus amigos?

Os meus filhos. Lindos. Quem são eles?
Ainda livre de escolher ser outros?

Somos os nossos atos? Ou não?
Somos os atos dos outros? Dos nossos amigos?
Dos nossos inimigos? Quem nós define?

Quero acreditar que tenho amizades.
Mas até quando? Até qual limite?
O que é um amigo? Transformação.
Atos transformam. Quem conhece, confia.
Será que alguém se conhece.

Já tentei tanto ser solidário. Quero tentar ainda. Sempre.
Já briguei tanto. Pretendo ser radical reformista.
Não existem herois… Apenas circonstâncias.
Me dizem generoso.

Tento ser humano. Acreditar em valores universais.
Tortura nunca mais. A vida se repeita, sempre.
Fronteiras são instrumentos de dominação. Abrogação!
Não existe estrangeiro. Apenas diferenças.

Não gosto de chaves, nem de carros. Mas tenho.
Gosto de ser livre, de poder viajar. Tenho passaporte europeu.
E os meus amigos? O que que eles tem?
Cérebros.

Detesto comportamentos racistas, machistas, dominadores… E o que sou?

Um servidor público federal, bem remunerado, cheio de privilégios.
Contradições.

Tem alguns dias que não bebo, nem fumo. Só tomo café. De manhã.
Tento ser humano, cérebro consciente, ouvindo Habib Koité, Sona Jobarteh,…

Eu quis ser GCAP, FICA, N’zinga, não deu.
Quero acreditar que sou Senzala, de Santos.

Sou Afirme-se? Mais do que Reaja? Será?
Alguns amigos fogem de mim. Outros me procurem.
Estamos se separando. Estou sendo procurado?

Meus filhos vão me ter como pai, sempre.

Não consigo ficar calado. Boca de Solapa.
Pretendo dizer o justo. Que arrogância.
Será que existe o justo?

Bandido é bom. Morto não fale.
Aprender a ouvir. O silêncio da morte.