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PT: tal o fénix?

Ontem, participei da Zonal (reunião do grupo local) do PT do Rio Vermelho. Gostei!

O Sétimo Congresso está chegando. Acontecerá dia 22 a 24 de Novembro de 2019. Ao meu ver, este congresso é a maior oportunidade do PT se transformar desde muitos anos. E por ser o único partido não comunista ainda com base social, devo me filiar para tentar ajudar no rumo desta transformação. Vou apostar sim na possibilidade de melhoria deste partido, instrumento único e indispensável do exercício dos direitos civis e políticos dos cidadãs em democracia. O PT ainda é um partido maioritariamente de esquerda e com base social, mesmo que muitos dos seus membros não saibam mais o que significa ser de esquerda. Sei que é bem provável que eu saia do PT logo depois do congresso, decepcionado, mas até lá, vou ficar esperançoso e tentar insuflar algumas ideias e propostas neste partido tão chacoalhado pelas crises sucessivas dos últimos anos.

E vamos ver se ele ainda consegue renascer das suas cinzas, tal o Fénix!

Segue algumas das propostas relativas a transformação do PT que tentarei levar e para as quais espero ganhar apoio, tanto dentro do Partido como fora:

Orientações políticas

  • Ecologia Política: este paradigma ideológico é um imperativo categórico (“à la Kant“), ou seja, deve ser integrado como um elemento essencial e fundamental do programa do PT. Afinal, para que serve construir o “socialismo” nas ruínas de um planeta destruído pelo produtivismo capitalista? A preservação do Planeta Terra precede qualquer luta, pois sem um meio ambiente ecologicamente saudável, as gerações futuras serão condenados a lutar para suas sobrevivências de uma forma inimaginável, e com uma provável redução considerável do número de seres humanos no planeta. Sem água e ar saudável, o que será da maioria da população humana?
  • Direito a Vida: a bancada ruralista, o agro-negócio, as multinacionais de produção de remédios (drogas), armas, gasolina, carros e outros bem de consumo dominam o mundo e mandam matar. Uma guerra civil lavrada, mais mortífera que muitas guerras declaradas, acontece nas comunidades e interiores do Brasil, onde negros e indígenas são alvos das balas da policia e das milícias, herdeiros dos Capitãs do Mato. Esta mais do que na hora do PT exigir o Direito a Vida de todos os cidadãs. E justiça para os mortos! Federalização do Cabula, Já!
  • Educação Básica: os dirigentes do PT devem fazer suas auto-críticas e entender porque o PT não conseguiu investir massivamente na melhoria radical da educação básica brasileira quando estava no exercício do poder. Sem educação de qualidade, não existe democracia. O Fascismo prospere e os nossos horizontes emancipatórios se fecham inexoravelmente.
  • Abertura para a Sociedade Civil: chega de domesticação do movimentos sociais. Os dirigentes do PT devem aprender a respeitar as diversidades culturais e políticas e não permitir que se instrumentalizam os movimentos da sociedade civis e sindicatos. A autonomia e autogestão dos movimentos deve prevalecer, com toda transparência sobre suas formas de existência e de financiamento. Deve se convidar candidatos da sociedade civil não petistas a participar das eleições com apoio do PT.

Orientações institucionais

  • Paridade Qualificada de Género: em todas as instâncias, chapas e cargos electivos. Mulheres e Homens devem compartilhar em harmonia as responsabilidades e cargos de poder. A paridade deve ser qualificada no sentido de não deixar as mulheres nos cargos subalternos tais como as vogais das instâncias dirigentes.
  • Cotas Qualificadas para os Povos Negros e Indígenas: no processo histórico que leva aos dias de hoje, estes dois povos sofreram e continuam sofrendo exterminação e exploração. A reparação das consequências destes crimes coloniais passados e actuais requer a representação proporcional destes povos nas instâncias de exercícios dos poderes políticos do partido e da democracia em geral. Uma representação que contempla todas as instâncias do partido, chapas, e cargos electivos e que seja qualificada no sentido de não deixar os cotistas nos cargos subalternos.
  • Limites temporais dos mandatos e cargos: é imprescindível assegurar a rotatividade nos cargos de poder para evitar qualquer ossificação, vício e corrupção. O poder corrompe, né? Dois mandatos consecutivos, basta, né? Vamos voltar a ter uma partido de militantes, princípios ideológicos e não somente de mandatos.
  • Liberdade de Expressão das Tendências: as tendências no partido devem ter liberdade de expressão, tanto dentro para permitir o debate, quanto fora para espalhar os debates internos na sociedade. A final o papel do partido é permitir a organização a sociedade para disputar as eleições. E como que a sociedade pode ser privado dos debates sobre a organização? Trata-se aqui de privatizar o partido em pro de interesses pessoais.

Sei bem que estas propostas serão dificilmente maioritária no congresso. Mas a democracia requer este jogo. Ser radical e reformista, e avançar dando passos pequenos. Vamos lá apostar. Arregaçar as mangas e rezar para viver o suficiente para ver o PT melhorar…



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Kilomb’Artes, as 7 flechas da Ecologia Urbana, Indígena e Panafricana

As palavras são muitas vezes traidoras e sem poder. Como permanecer silencioso, em paz e compartilhar eficientemente os nossos sentimentos e convicções? Como conciliar os princípios antagónicos da elegância e da eficaz sem a sinergia dos quais a vida se torna morte? Como ser eternamente discreto, conseguir o desafio de comunicar (existir) e convencer o maior número possível de pessoas que a Ecologia Política é um imperativo categórico urgente para a humanidade, sem arrogância?
Como liderar sem perder a base? Como?

Nas fronteiras e interstícios das ciências, artes e natureza, reside a consciência.

O “3º Congresso Latino-Americano de Ecologia Política e Libertação: Insurgências Descoloniais E Horizontes Emancipatórios” (CongEcoPol’3)que acontecerá no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências na UFBA do dia 18 a 20 de Março de 2019 se apresentou para mim recentemente como uma resposta parcial, porém excelente! Uma oportunidade única e histórica de espalhar aos quatro ventos a boa noticia! A humanidade tem jeito, talvez! Basta os seus membros acordar!

O tema do CongEcoPol’3: “Insurgências Descoloniais e Horizontes Emancipatórias” enfrenta o momento turbulento pelo qual passa a América Latina, com a emergência de governos autoritários e neoliberais e a aceleração das políticas extrativistas e de desnacionalização dos recursos naturais. Frente ao giro reaccionário, emergem insurgências descoloniais e lutas que recompõem horizontes emancipatórios. Novas ecologias de resistências que reconfiguram a práxis libertadora.

Para fortalecer o CongEcoPol’3, resolvemos com a ajuda de vários amigos puxar um grito solidário, organizando o evento paralelo “Kilomb’Artes, as 7 flechas da Ecologia Urbana, Indígena e Panafricana”, a ser realizado no Teatro Vila Velha, na terça-feira 19 de Março de 2019 de 19h às 22h.

Naka, rey d’Gumb, griô de Guiné Bissau

O evento Kilomb’Artes constituirá uma janela aberta do CongEcoPol’3 para a sociedade baiana e será norteado pelas sete flechas das artes: artesanato, audiovisual, culinária, escultura, pintura, terapia e teatro. Ele contará com a participação dos artistas, músicos:

  • Naka, rei d’Gumb, griô Mandinga de Guiné-Bissau, canto e guitarra mandinga
  • Mo Maiê, griô mineira, canto e N’gouni, guitarra tradicional mandinga
  • Felipe Guedes, músico baiano, guitarra baixo e percussão
  • Cassiano Faleta, músico baiano, saxofone
  • Marcel Moron, músico do Uruguai, percussionista
  • Nara Couto, música baiana, voz
  • André Sampaio, músico afro-mandingo, guitarra e voz
  • Ícaro Santiago, músico baiano, pianista
  • Tom Barreto, músico baiano, percussionista
  • Kinho, alias Zorival Antônio dos Santos filho, percussionista
  • Arthur Soares, músico Nordestino, guitarra.

e 7 debatedores:

Mo Maiê, griô mineira
  • Cinezio Feliciano Pecanha aliás Mestre Cobra Mansa, FICA, Kilombo Tenonde/Rede Africanidade
  • Debora Abdalla, professora doutora e coordenadora do Programa de Extensão Onda Digital da UFBA
  • Débora Carol Luz da Porciuncula, geógrafa, doutora em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social, conselheira da APA bacia do Cobre/São Bartolomeu e co-fundadora do coletivo Guardiões da APA Bacia do Cobre/São Bartolomeu
  • Denilson Baniwa, artista indígena;REAJA, organização política, autônoma e panafricana
  • Richard Santos, rapper e professor doutor de comunicação na UFSB
  • Roberval Santos, Associação Comunidade Monsenhor Rubens Mesquita #TORORÓRESISTE
  • Walter Takemoto, movimento “Não ao BRT”;

Hamilton Oliveira alias DJ Branco, comunicador, fará rir e/ou chorar a plateia nos intervalos, interstícios e fronteiras entre as programações seguintes:

19h: Solo e contação de história de Naka, griô Mandinga, rei d’Gumb (30mn).
19h30: Primeira roda de debate sobre e Oralidade, Panafricanismo e Arte indígena (30mn) -> Naka, REAJA, Denilson Baniwa
20h: Naka, griô Mandinga e Mo Maiê, griô brasileira (30mn).
20h30: Segunda roda de debate (30mn) sobre Tecnologia, Urbanismo e Comunicação -> Débora Abdalla, Roberval Santos, Richard Santos
21h: Apresentaçã das crianças da Escola Winnie Mandela do Engenho Velho de Brotas (15mn)
21h15: Show de Naka, Mo Maiê e demais músicos(60mn)
22:15 Roda de debate final sobre Ecologia Política (45mn) com os artistas músicos e debatedores.

Num momento histórico sem precedente na história da humanidade, o planeta vem sofrendo os ataques monstruosos e absurdos da sociedade humana globalizada contra o meio ambiente. As catástrofes climáticas e ecológicas se multiplicam numa frequência cada dia mais acelerada. As previsões de mudanças climáticas num horizonte de algumas décadas tracejam uma realidade ambiental desastrosa para as gerações futuras. Genocídios de povos; desrespeito aos direitos humanos essenciais tal como o direito à vida, à livre circulação, o pleno acesso a educação, a informação e a saúde; o consumo, a privatização e/ou a destruição dos recursos naturais tal como ar, água, terra e seus subsídios, o desaparecimento de inúmeras espécies animais e vegetais, etc. A lista já é longa, e continua se alongando todos os dias, das atrocidades e calamidades produzidas pelo modelo de desenvolvimento produtivista oriundo dos desdobramentos da mundialização e da revolução industrial e tecnológica ocorrido nos últimos 5 séculos.

O barulho tonitruante dos gritos e choros dos povos, dos artistas, filósofos, intelectuais, científicos, em fim, de todas as pessoas minimamente eco-conscientes, está sinistramente ecoando no silêncio assustador das elites, instituições mundiais e multinacionais que dominam o mercado financeiro capitalista. Em frente este quadro alarmante, a ecologia politica de libertação se apresenta como um imperativo categórico urgente, alternativa necessária aos modelos capitalistas e produtivistas em vigor no planeta globalizado e causa essencial do despertar de uma nova consciência universal dos seres humanos que nunca permita a justificação dos meios pelos fins, pois o abrir e o trilhar o caminho é bem mais importante do que o chegar. É urgente interromper os processos suicidários em cursos e conseguir reverter as destruições e danos já provocados. Paz aos mortos! Eles estão presentes em nós, nos fortalecendo, cobrando justiça, paz e respeito.

Que seja aqui ou alhures, os servidores e beneficiados das instituições desfiscalizadas e descontroladas do mercado financeiro global se fazem surdos e mudos aos gritos de alerta dos povos indígenas da floresta, das montanhas, dos mares, dos desertos, do gelo, etc. Não percebem que o dia no qual as alienações e aberrações organizadas pelo mercado financeiro global oriundo do modelo euro-centrado de desenvolvimento produtivista conseguirão finalizar os vários projetos de genocídio, exterminação e destruição em curso desde vários séculos, a hora será certamente do fim do meio ambiente hospitaleiro tal que o conhecemos. Respeitar aos povos indígenas, os equilíbrios ecológicos e sociais é respeitar a nós mesmo e a arte de viver em harmonia na natureza. Exterminar os povos indígenas e destruir o meio ambiente no qual vivem significa serrar o próprio ramo em qual a humanidade está sentado. Quando o “ocidente iluminado” terminará este projeto de extermínio e destruição, será o fim anunciado da humanidade tal que a conhecemos.

O 3º Congresso de Ecologia Política e de Libertação busca criar um espaço de encontros e convergências entre pensamento e práticas emancipatórias, entre acadêmicos, movimentos e ativistas. Em particular, este Congresso presta especial homenagem a Hector Alimonda (1949-2017), que em sua trajetória de vida promoveu o pensamento crítico latino-americano pela ecologia política e a luta contra a “persistente colonialidade que afeta a natureza latino-americana”. E lembra de lideranças políticas ambientalistas populares que, em seus momentos e com suas forças, souberam construir perspectivas coletivas de lutas ecológicas emancipatórias, em especial Chico Mendes, assassinado há 30 anos, em 1988, Maria e Zé Cláudio (assassinados em 2011), Berta Cáceres (assassinada em 2016).

O Congresso é organizado pelo grupo de pesquisas Ambientes Indisciplinados, na Universidade Federal da Bahia (UFBA) junto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com apoio do Grupo de Trabalho em Ecologia Política, do CLACSO, e envolve uma rede de colaborações com outras universidades brasileiras (UNILAB, UFABC, UNB, UNIFESP), chilenas (UCN, FAU-UCH) e lideranças de movimentos sociais (MAM, APIB, CNS, CONAQ).

Da Mata do Capão, 07 de março de 2019
Paul Regnier (71) 9 9236-5914 – paulaup@gmail.com

Mansasa Produção — mansasa.prod@gmail.com

Papai socorro! Meu Fálus está sem Norte!

O povo: “Pai, nos protege! Estamos com medo! Sem norte! Socorro!

Uma mãe: “Chegaram. Arrombaram a porta da minha casa de mãe solteiro.
Homens. Armados. Fardados ou não. Perguntaram por um parente meu.
Vasculharam minha casa a sua procura.

Assustado, meu filho acordou. Mal tocou na arma dele e, morreu.
Cada disparo abriu um abismo na minha cabeça.
Minha filha gritou. Mas já era tarde.
Os gritos dela se confundiram com o eco das armas.
O meu neto, acanhado no quarto, “ou viu” tudo.
Deixaram a mãe dele em vida. Teria sido melhor não.
Trouxeram o menino para a sala avermelhada.

Mandaram ele calar.

Me disseram que um parente meu tentou matar Ele.
Perguntaram onde o parente se escondia. Queria eu não ter nascida.
Nunca ter dada a luz. Nem minha mãe. Minha vida cessou.
Começou meu inferno, curto.

Se pelo menos eu soubesse! Seria eu uma heroína!
Mas a minha única tentativa de mentir piorou o inferno.
Nem imaginava isto ser possível.
Meu netinho me precedeu. Ainda bem!
Alguma hora, vacilaram. E me matei.

Voltei a ficar em paz. E Maquiavel certamente está feliz na tumba dele.


#TorturaNuncaMais

O povo: “Ainda bem que agora temos homens, armados, para nos proteger.”

O narrador: O país está um caos. Ainda hoje, muitos homens estão desorientados. Sem papeis. Os seus Fálus sem Norte. As mulheres, fortes e empoderadas ainda usam estes de vez em quando. Necessidade faz lei. Mas muitas preferem criar os filhos entre si.
Melhor do que só.
Homens perdidos, frágeis barcas sem velas nem rumo, boiando num mar sujo e errático, não sabem que Deus louvar. Se não fosse a semente deles, eles seriam descartáveis. Máquinas e bits são mais produtivos e obedientes.

O povo: “Ele chegou, o Capitão. E nos revelou o Norte novamente:
Armado, o homem preste!  Para proteger e matar.
Salve Capitão! Pai da pátria.

Agora, podemos se sentimos seguro novamente, com Ele nós guiando.
Todo dia, Ele fala com agente, nós educa. Ainda bem. Pois as escolas não prestam.
Disse Ele que não precisa. Basta assistir, confiar e consumir.
Ele sabe.”


#EducarSIM

Uma mãe: “Os homens estão voltando a ficar feliz. Agora prestam para alguma coisa:
Me defender. Me torturar. Tanto faz, já morri. Eu sou o povo e preciso de ajuda, de medo.

Operação Alcateia

Alguém: “Educar, nossa mãe que cuida, né. Quando pode.
O Estado? Para que? Se Ele e os homens armados já nos protegem.
Basta, poder viver, sem medo, né?

E as Diversid’Artes? Estupradas e torturadas, sofrem em silêncio, quietinhas. Assim como as nossas mães. Choram, gritam, apelam, imploram! Mas, já é tarde para ensinar:

o caminho é o fim, lutando pela paz, sempre…”


#HaddadSIM

 

Verdades e Mentiras?

Um belo dia, depois de uma separação dolorosa, subi num táxi. Tive o seguinte diálogo com motorista:

“Você entende de mulheres?” perguntei. O motorista opinou e respondeu: “Entendo do material”. Percebi logo que a conversa ia render.

“E você é casado?”. “Sou, tem mais de 20 anos!” respondeu. Certo pensei em mi mesmo, o cara é experiente. Depois de um tempo de silêncio, voltei a perguntar: “E você, da os seus pulos?”. “Mas é claro!” disse ele. “Hum, e sua esposa sabe?”.  “Não!”.

Fiquei curioso: “E ela pergunta para você?”, “Sim”,  “E você responde o que?”. “Não.” “E ela acredita?”, “Sim!”.

Parei um tempo para pensar. Depois de alguns segundos de silêncio, perguntei novamente: “E ela, ela também da seus pulos?”, “Não!” afirmou ele com bastante ênfase. “Como você sabe?”,  “Eu pergunto, né?”…

Federalização do Caso do Cabula, Já!

No caso da chacina do Cabula, ocorrida em dia 6 de fevereiro de 2015 (leiam as Primeiras Denuncias publicadas por Fernando Conceição, no dia 7 de fevereiro de 2015), existe

Um Imperativo Democrático de Justiça!

O Ministério Público da Bahia denunciou uma execução sumária das 12 vítimas e pediu a prisão preventiva dos 9 policias, autores dos 144 disparos entre os quais 88 atingiram seus alvos. O Ministério Público ainda afirmou: “Todos os laudos cadavéricos indicam — todos — que aconteceu  uma execução. As vítimas estavam em plano inferior a seus agressores. Ou de joelho, ou deitadas”.

E por incrível que pareça, vale lembrar que aquela chacina foi uma mera operação de vingança, dirigida por um subtenente de policia mau-caráter, assim como retrata o artigo do Correio da Bahia: Chacina com 12 mortos no Cabula foi planejada por PMs como vingança.

Apesar das denuncias do Ministério Público e sem ouvir nenhuma testemunha, a Justiça baiana pronunciou uma sentença de absolvição de 10 policiais, um dos quais nem constava na ação. Nota que o MP também investigou a situação das vítimas e comprovou que nenhuma tinha antecedentes criminais, apesar das declarações falaciosas do Governador da Bahia da época. Vejam as declarações do promotor de Justiça Davi Gallo a respeito, no quarto minuto do vídeo: A justiça será feita.

Sobre esta sentença relâmpago absurda, leiam o jornal que primeiro a revelou: Sentença-relâmpago na Bahia absolve policiais por mortes do Cabula assim como o texto de Lena Azevedo, jornalista: Chacina do Cabula: o som ensurdecedor da ancestralidade.

Segundo o próprio Ministério Público, a sentença relâmpago da Tribunal de Justiça da Bahia “atropela todas as regras processuais”. “A Juíza  cometeu a maior insanidade do mundo: desprezar o o artigo 415 do Código Penal e julgar apenas com o Código de Processo Civil”.

Ainda segundo o Ministério Público, “o crime cometido pelos policiais é contra a humanidade“, e por isso merece correr pela Justiça Federal. Após ser solicitado pela REAJA, Organização Política e a Associação Justiça Global, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot considerou haver incongruência e curiosidades no caso do Cabula.

Em  consequência, Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, pediu o deslocamento de competência para apuração dos fatos pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Vejam mais detalhes no artigo do Correio da Bahia: Justiça absolve PMs envolvidos na morte de 12 pessoas no Cabula

Com isto, e pela primeira vez na história do Brasil, um caso extraordinário de impunidade policial em caso de execução sumárias de jovens negros assim como de violações dos direitos das vítimas pelas instituições de justiça do estado da Bahia pode vir a ser investigado!

Pelo respeito a vida, vamos lutar e fortalecer a campanha iniciada e impulsionada pela REAJA, Organização Política para exigir que  o Incidente de Deslocamento de Competência seja admitido pelo Supremo Tribunal de Justiça.

                                               Federalização do Caso do Cabula,  Já!

                                                             Fim da impunidade, Já!

Quem leio até aqui e quiser começar a fortalecer a campanha, pode:

Vejam também alguns clipes de quem apoia a federalização: Fernando Conceição, Dexter, Sandra Carvalho, eu (Paul Regnier) e muitos outros na página da REAJA !!!

Perdido, Sem Sono, em Salvador!

Quem sou eu? Os meus amigXs? Quem são elXs?
Sou “branco” e gosto de muitas culturas negras.

Amadou Hampaté Ba? Li sua obra, inteira, quando eu era adolescente;
Dancei com 15 ou 16 aos sons dos Djembês, Sabar, GwoCa e outros tambores. Porque?
Vivo em Salvador, cidade túmulo e linda, cheia de flores, dança e lixos.

Tenho amigXs, quem são? De muitas culturas.

Quem sou eu? Empatia.
Será que posso ser empata de mim mesmo?
Não levarei nada! Deixarei apenas um rastro.
Quem lembrará de mim. Quanto tempo?
O que serei além da minha própria vida?
dos meus atos, dos meus amigos?

Os meus filhos. Lindos. Quem são eles?
Ainda livre de escolher ser outros?

Somos os nossos atos? Ou não?
Somos os atos dos outros? Dos nossos amigos?
Dos nossos inimigos? Quem nós define?

Quero acreditar que tenho amizades.
Mas até quando? Até qual limite?
O que é um amigo? Transformação.
Atos transformam. Quem conhece, confia.
Será que alguém se conhece.

Já tentei tanto ser solidário. Quero tentar ainda. Sempre.
Já briguei tanto. Pretendo ser radical reformista.
Não existem herois… Apenas circonstâncias.
Me dizem generoso.

Tento ser humano. Acreditar em valores universais.
Tortura nunca mais. A vida se repeita, sempre.
Fronteiras são instrumentos de dominação. Abrogação!
Não existe estrangeiro. Apenas diferenças.

Não gosto de chaves, nem de carros. Mas tenho.
Gosto de ser livre, de poder viajar. Tenho passaporte europeu.
E os meus amigos? O que que eles tem?
Cérebros.

Detesto comportamentos racistas, machistas, dominadores… E o que sou?

Um servidor público federal, bem remunerado, cheio de privilégios.
Contradições.

Tem alguns dias que não bebo, nem fumo. Só tomo café. De manhã.
Tento ser humano, cérebro consciente, ouvindo Habib Koité, Sona Jobarteh,…

Eu quis ser GCAP, FICA, N’zinga, não deu.
Quero acreditar que sou Senzala, de Santos.

Sou Afirme-se? Mais do que Reaja? Será?
Alguns amigos fogem de mim. Outros me procurem.
Estamos se separando. Estou sendo procurado?

Meus filhos vão me ter como pai, sempre.

Não consigo ficar calado. Boca de Solapa.
Pretendo dizer o justo. Que arrogância.
Será que existe o justo?

Bandido é bom. Morto não fale.
Aprender a ouvir. O silêncio da morte.

Mãe Runho

No café da Consciência Negra do terreiro Jeje do Bogum, domingo passado 20 de novembro de 2016, no Engenho Velho da Federação, depois do lindo recital solo de Matheus Aleluia, fui pego de surpresa ao ser chamado para receber o certificado Mãe Runho, entregue por Alex, ogã suspenso.

certificadomaerunhoMuito honrado, fiquei.

 

Salve Exu Lebabimibome! Diabo ou Deus?

Salve Hildebrando Almeiada Cerqueira. Salve Maria Doralice Sousa, alias Dona Dora. Salve todos os ancestrais.

Talvez não por acaso, a tese de doutorado de Hildebrando Almeida Cerqueira, aprovado com a  menção “très honorable” pela Universidade Paris Descartes (Paris V) ainda não está disponível na página  ad-hoc.  Disse o autor que já estará em breve. Tomara. Tomara também que a tradução venha logo para o português, pois o seu conteúdo merece certamente a maior divulgação. Ainda não li. Mas escutei o autor, ontem, e me deliciei ao aprender tantas coisas, ao ritmo de uma voz tranquila e humilde.

hildebrandodvenetta

Merece o salão nobre de qualquer Universidade. Merece ser estudada nas quebradas. Merece ser divulgada nos presídios. Merece ser publicada pela ONU e espalhada pelas encruzilhadas daqui e alhures.

A desconstrução do colonialismo, a conscientização dos indivíduos sobre suas próprias limitações, a valorização do respeito mútuo (e não da tolerância), a nossa emancipação individual e coletiva da nossa própria cultura. Parecem metas utópicas!

Descolonizar nossas mentes, herdeiras de culturas milenares dominadoras, esta é uma tarefa árdua. Venho tentando há muitos anos me emancipar da minha cultura europeia racista, sexista e dominadora. Perceber que meu corpo quase nunca é rejeitado. Não é fácil. Peço desculpas sinceras pela minha arrogância. Sou branco. E apesar de considerar a empatia como uma das qualidades mais valiosa de um ser humano, não pretendo ter conseguido me emancipar de milenares de ancestralidade judeo-cristão. Apenas tento. Sempre.

Obrigado Espaço Cultural D’Venetta! Por existir e nós proporcionar um pouco deste respeito que precisamos tanto resgatar. Obrigado por nós proporcionar mais um tempo de humanidade, de humildade, no meio deste “maelström” tecnológico acelerado no qual vivemos.

Exu Lebabimibome.

O mensageiro. Adotado pelos europeus como divindade africana mais aparentada ao diabo. Tem mais a ver com o Cristo, ou com o Macaco. Vive nas encruzilhadas. Causa transformações, guerras e pazes, ao criticar a ordem estabelecida.

Metáfora (tal como me imprimiu quando contada)- Dois homens olhem um terceiro passar. Depois de longe, o primeiro comenta:  “Que chapéu vermelho lindo!”. O segunda protesta: “Aquele homem? Tinha chapéu vermelho? Que nada. O chapéu era branco, e lindo, de fato.” O primeiro retruca, já esquentando: “Você ficou maluco? Aquele chapéu era vermelho. Boto a minha no fogo!” O segundo gritando: “Quem tá doido é você! Branco neve, aquele chapéu!”. Depois de um tempo, os dois já estão próximo de se matar um outro quando decidem ir atrás daquele homem. Encontrado, ele vire a cabeça de um lado: chapéu branco. Vira do outro lado: chapéu vermelho. Os dois homens se olhem, e se abraçam…

Três anos atrás, um homem, conhecido como incarnação de Exu na Bahia, me apresentou a Campanha Reaja. Espero que este homem pare de ser crucificado. Pois a fala de um menino, criado na favela, hoje jornalista, professor e “doutor”, incomoda. A crítica perturba e destabiliza a Acadêmia, simplesmente dominada pelo eurocentrismo desde que se criou. Hildebrando bem nós lembrou. “Divide et impera” era um dos princípios políticos de “Julius Caesar”. Não foi por nada. O colonizador/conquistador/dominador tem este poder de escolher, não somente a vida ou a morte dos (neo-) escravizados, mas também suas sexualidades, suas religiões,  seus lazeres, suas drogas. Tolerar tais práticas culturais e (tentar) acabar com outras. Salve a Capoeira. Angola e Regional. Por mais que sejam contraditórias.

Salve Andreia Beatriz dos Santos. Salve Hamilton Borges Onirê e todos os membros da Reaja, vivos e mortos. Salve Exu. Salve Ainá, Omin e Vitória. Salve Ademir. Salve todos.

Salve todos que lutam, muitas vezes ao perigo de suas vidas, em pró das diversidades culturais, da emancipação e do respeito a vida, e contra a colonização das nossas mentes pela civilização imperialista, capitalista, euro e tecno-centrada. Agradeço pela paciência. O império cientifico capitalista está omnipresente. E raros são aqueles que persistem em resistir.

E vejam. Nem a Reaja nem qualquer outra organização política ou cultural, resistindo contra a hegemonia capitalista da civilização judeo-cristão devem ser assuntos de tolerância! Pois não se trata de tolerar ninguém, de cima para baixo. Bem pelo contrário. Há quem escolhe tolerar, isso ou aquilo. John Locke bem introduziu a tolerância como uma política a ser exercitada pelo Rei (a república). Só se tolera o que se pode (tentar) aniilar. Não queremos Rei.

Respeito! De olho para o olho, de mentes abertas e solidárias entre povos e religiões.

Respeito! De igual para igual!

Respeito.

E, enquanto não tiver respeito, fecha a cara!

Finalizando, não posso esquecer de expressar os meus sinceros e respeitosos agradecimentos a comunidade docente do Instituto de Matemática da UFBA por ter protocolado recentemente ao CONSUNI uma propositura de homenagem de Andreia Beatriz de Santos, liderança da Organização Política Reaja. Segue texto de motivação encaminhado. Nestes tempos de cegueira política, qualquer ato de resistência se torna um ato singular de coragem.

“[…] It is from these comrades in the struggle that I learned the meaning of courage. Time and again, I have seen men and women risk and give their lives for an idea. I have seen men stand up to attacks and torture without breaking, showing a strength and resiliency that defies the imagination. I learned that courage was not the absence of fear, but the triumph over it. I felt fear myself more times than I can remember, but I hid it behind a mask of boldness. The brave man is not he who does not feel afraid, but he who conquers that fear. […]”

Nelson Mandela. Long Walk to Freedom, an autobiography, most of it written in jail.

Beyoncé o fez, coincidência?

Queria ser poeta, para derramar tuas lágrimas!

Ter talento o suficiente para convencer Carlinhos Brown, João Carlos Salles, Gilberto Gil e todos os astres da hora de vestir a camisa da Reaja! Convencer esta “gente de poder” a usar e abusar dos holofotes, assim com Beyoncé acabou de fazer. Queria poder convencer tod@s que o racismo mata negr@s, que o genocídio do povo negro está acontecendo…

Mas, além de ser homem e branco, sou francês. O que não facilita o exercício da cidadania por este lado do mar. Mas vamos lá, com nossa gota d’água, sem mais demora nem poesia.

Não derramei lágrimas ontem ao participar, único representante docente da UFBA, do ato de memória à Chacina do Cabula promovido pela Campanha Reaja. Não chorei, ao ver as mães presentes, fortes de não sei que coragem enraizado em uma tradição plurissecular de resistência e luta, chorar. Não foi meu filho que morreu.

Não derramei lágrimas quando Peu Meurray contou, no palco do Ghetto Square, sexta-feira passada, como a mãe dele era orgulhoso deste menino que conseguia tirar som de qualquer lata. Talvez por isso foi convidado a participar do Festival Nalata. Não porque fez doutorado como bem queria.

Mas choro. Todo dia, interiormente, por isso e aquilo. Este é o preço a pagar pela empatia.

Choro e sofro principalmente ao pensar nos mortos injustiçado, e em algumas coincidências, que se forem fortuitas, então preciso parar de pensar!

  • Coincidência os maus-tratos e humilhações cotidianos das famílias da Vila Moisés e Engomadeira?
  • Coincidência as ameaças aos militantes da Campanha Reaja e aos moradores das vizinhança da Chacina?
  • Coincidência as contradições explicitas entre o inquérito do Ministério Público, órgão formalmente independente do poder político, e este da Policia Civil, sob comando do Governador?
  • Coincidência, a decisão de uma juíza substituta (tirando as férias do juiz oficialmente responsável) que declara INOCENTES os 9 PMs inculpados, após ter analisado, em alguns dias apenas, mais de 1000 páginas de um processo com conteúdo suficiente para derrubar um Rui Costa e seu secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa em qualquer democracia que se respeita?

Queridos leitores, ficar calado é ser cúmplice. Não basta ser lúcido. Precisamos agir e exigir a:

                           IMEDIATA FEDERALIZAÇÃO DA CHACINA DO CABULA

Junto com a Campanha Reaja, Justiça Global, a OAB-BA e várias outras instituições, organizações, entidades, movimentos populares e pessoas, podemos SIM impedir o esquecimento da Chacina do Cabula, triste exemplo da ESCANDALOSA IMPUNIDADE da Policia Militar.

A ONU e a OEA (Organização dos Estados Americanos) estão acompanhado este caso, já tão famoso pelas declarações insanas do Governador da Bahia.

Teve que se retratar publicamente “ele”, depois de ter declarado que todos os mortos tinham passagem na policia.
Só 2 tinham e ainda, por embriaguez no carnaval.

Mas não pediu desculpas, O Rui Costa, pelas falas absurdas e irresponsáveis que fez na mídia, comparando a arte de “fazer gol” com esta de “matar gente”! Que desgraça!

E por incrível que parece, segundo este mesmo governador, matar cachorro justifica a expulsão dos profissionais responsáveis!

Governador, o que justificaria lhe expulsar do poder, junto com os responsáveis das inúmeras chacinas cotidianas do povo negro?

Enquanto isso, os noves PMs inculpados pelo Ministério Público estão soltos para matar. O que fazem, com uma excelência acadêmica sinistre. Só estes últimos dias, as vésperas do ato de memória do aniversário de um ano da chacina do Cabula, foram  5 mortos na Engomadeira e nas imediações da Vila Moisés.

Coincidência?

 

III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro – Comunicado Nacional e Internacional

Das Lutas

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III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro

Comunicado Nacional e Internacional

Em agosto de 2015 teremos a III Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro. A Marcha Internacional Contra o Genocídio do Povo Negro não é uma ação que começa e se encerra num evento, numa data predeterminada. Trata-se de um conjunto de ações permanentes e articuladas que ocorrem o ano inteiro, através de enfrentamentos, debates, ações, articulações, serviços comunitários e construção de espaços de solidariedade em vilas, favelas e prisão.

A Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro organizada pela Campanha Reaja desde sua primeira edição e cujo processo de construção e organização, há dez anos, é uma marcha autônoma em relação a governos e partidos, não aceita em suas fileiras bandeiras, panfletagem ou propaganda que não seja compatível com a construção de uma organização internacional de luta Panafricanista, Quilombista, Negro-Comunitária.

Nossa Marcha não é Periférica…

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