e se sobrar apenas um, serei eu!

Não fazer NADA, é ser cúmplice!

Quando o próprio Ministério Público da Bahia denuncia execuções sumárias,
temos que exigir o julgamento imediato dos responsáveis!

Heróis não existem. Necessidades sim, ai de nós!

Não pretendo esperar que um filho, meu ou seu, seja morto porque foi comprar uma pizza, encontrar a namorada ou simplesmente fumar um cigaro de marijuana, para me sentir responsável pelo genocídio que está acontecendo todos os dias do ano nesta terra da Bahia e do Brasil.

Sei que outros sofrem e morrem em outros lugares. Mas no momento, estou aqui, e minha família também.

Portanto, é aqui que tenho que AGIR! Para proteger a minha família Negra!

Não sendo poeta, pego emprestado aqui umas letras do ilustre Victor Hugo e recomendo a tod@s, a leitura do poema completo em francês ou em inglês:


J’accepte l’âpre exil, n’eût-il ni fin ni terme,
Sans chercher à savoir et sans considérer
Si quelqu’un a plié qu’on aurait cru plus ferme,
Et si plusieurs s’en vont qui devraient demeurer.

Si l’on n’est plus que mille, eh bien, j’en suis ! Si même
Ils ne sont plus que cent, je brave encor Sylla ;
S’il en demeure dix, je serai le dixième ;
Et s’il n’en reste qu’un, je serai celui-là !

“Crise de Segurança Pública”: um sinônimo para “Genocídio do Povo Negro”!

A democracia brasileira está em perigo! A crise acirrada de “Segurança Pública”  denunciada por Atila Roque, diretor da Anistia Internacional atinge principalmente as populações jovens e mais frágeis do Brasil, aquelas historicamente marginalizadas economicamente pelo processo de colonização escravocrata europeu das Américas. Assim como explica Ricardo Cappi:

O discurso sobre o jovem hoje é pautado numa visão amedrontada e amedrontadora. Se temos uma população amedrontada, esta sempre irá preferir candidatos que demonstrem ter a mão forte e o punho duro. Então o medo é rentável politicamente.” em ‘O medo é politicamente rentável’

E se o jovem é perigoso, então ele pode ser abatido, como aconteceu recentemente na chacina da Vila Moisés em Salvador.

Ainda segundo Cappi: “Não há um alarme em relação aos 50 mil, 60 mil mortos que temos anualmente no Brasil. Em duas décadas isso dá mais de um milhão de mortos, o que é superior a qualquer conflito armado contemporâneo.

E quando se junta a estes dados os fatos que a maioria dos homicídios são cometidos pela policia militar e atinge jovens negros, caracteriza-se então de forma explicita o acontecimento de um prática de exterminação de uma parte da população brasileira, por critérios étnicos, culturais, sociais, ou seja pela sua raça. Durante o processo de Nuremberg em 1944, tal prática recebeu o sinistre nome de genocida.

Não que genocídios não ocorreram antes na história. O trafego negreiro, o genocídio dos Armenianos, a exterminação dos Hererós e Namaquas no início do século são apenas alguns dos exemplos mais conhecidos de genocídios. Mas só receberam esta nomeação depois de 1944, quando o conceito de genocídio veio às luzes do Tribunal Internacional de Nuremberg. Pois se tratava então do massacre de Judeus Brancos por não judeus, brancos também…

Em fim. Veio para ficar e percebeu-se que as formas de genocídio foram muitas no decorrer da história da humanidade, e que ainda cria-se novas formas, assim como podemos observar no República Federal do Brasil, que constituí certamente o maior apartheid pós-colonial da nossa época.

Na sua fala, em Washington DC (EU) no mês de fevereiro 2015 em frente a Comissão Internacional de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), o representante da Campanha Reaja denuncia com firmeza e compromisso tais acontecimentos. Vale a pena ganhar 7 minutos assistindo a fala de Hamilton Borges Onirê, pois aqueles que ainda ignoram ou negam a existência da Crise de Segurança Pública, ou seja, do Genocídio do Povo Negro no Brasil precisam acordar. Urgentemente!

Policia sim, Militar NÃO!!! Direito para Tod@s, já!

Pela primeira vez na sua já longa e honorável história, a mais respeitável ONG trabalhando com direitos humanos no mundo, Anistia Internacional (AI) está lançando uma campanha para lutar contra os homicídios de jovens negr@s no Brasil: Jovem Negr@ Viv@. Segundo AI:

Segundo AI: “Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados”.

Por um lado, isto é uma grande vitória para os movimentos e organização denunciado tais fatos há anos, tal como o Reaja ou Será Morto, Reaja ou Será Morta.

Por outro lado, isto vem confirmar, para aqueles que ainda duvidariam, que a situação no Brasil está além de crítica. Pois Anistia Internacional só se mobiliza para as causas políticas e as violações de direitos humanos as mais críticas no mundo!

Já na introdução ao relatório anual de 2015, publicado em fevereiro passado, AI afirma, a respeito do Brasil:

Serious human rights violations continued to be reported, including killings by police and the torture and other ill-treatment of detainees. Young and Black residents of favelas (shanty towns), rural workers and Indigenous Peoples were at particular risk of human rights violations…”  — Ler mais

E sobre a chacina perpetrada pela Policia Militar baiana no Cabula no início de 2015, o conselheiro em direitos humanos de AI, Alexandre Ciconello, publicou no Huffington Post ou seguinte comentário:

The tragic event should have sent shockwaves through Brazil. But it didn’t. Instead, the Bahia state Governor, Rui Costa, sent a message to the “brave” police officers, lauding their “heroic” work…

Ciconello faz aqui referência as declarações escandalosas e absurdas proferidas pelo governador, ao comentar a ação da PM no Cabula.

Por isso e aquilo, convido tod@s a apoiar a campanha Jovem Negr@ Viv@, o Reaja e todos os movimentos que estão ajudando o Brasil a se tornar uma verdadeira democracia! Não existe democracia sem liberdade de expressão e não existe liberdade sem respeito dos direitos, humanos!

Embora fortalecer a sede do povo brasileiro para mais justiça social e racial! Civilizar a policia (garantir que a policia não seja mais militar)! Impedir a redução da maioridade penal!

Em fim, lutar contra o pseudo-apartheid socio-econômico brasileiro e  fazer deste país um verdadeiro estado de direito, para tod@s!!

Aqui vai a verdadeira opinião de Fernando Conceição.

download

Resposta do Professor Fernando Conceição na lista debates-l da UFBA à mensagem enviada pelo Professor João Carlos Salles nesta mesma lista e reproduzida em várias páginas do Facebook, à exemplo de UFBA 

Vale lembrar que a resposta de João Carlos Salles veio como uma réplica a mensagem por mim enviada para esta mesma lista debates-l e publicada aqui  

 

Prezado Prof. João Salles Pires da Silva,

desde já declaro meu respeito e estima pessoal pelo colega, de trajetórias política e acadêmica respeitáveis. Torço para que faça uma feliz campanha pela disputa à Reitoria da UFBA, embora, como já anteriormente aqui informei, meu voto é do nosso também admirável Prof. Nelson Pretto.

É uma opção política que faço, riscando o colega das minhas preferências por conta daquilo que em mensagem que gerou vossa resposta a mim, apontou o Prof. Paul Regnier.

Sua resposta, aliás, deixa de lado o ponto nevrálgico apontado pelo Prof. Regnier, relativo à suposição de que, eleito ao comando desta UFBA, sua administração estaria comprometida com o projeto de poder que faz quase 8 anos governa a Bahia. Ao qual faço sérias restrições e acuso de conivente com o genocídio do povo negro deste Estado, além de outros descalabros administrativos.

Como democrata, sou a favor da alternância no poder. Razão porque me engajarei na derrota da chapa Rui Costa/João Leão empurrada por Jaques Wagner/Otto Alencar. Se trabalhar pela derrota de tal projeto passa por negar meu voto ao ilustre colega João Salles Pires da Silva, assim o farei.
Como o senhor, em sua resposta a mim, não negou essa suposição de alinhamento, que se constituirá em fato gravíssimo à autonomia da Universidade perante governos -, suposição baseada na análise do seu arco de apoio político-partidário nessa campanha à Reitoria da UFBA -, deixa margem à confirmação da hipótese.

Não se trata aqui de criticar atabalhoadamente seu arco de alianças, à maneira como quer nos fazer acreditar, como se ingênuos fôssemos todos, o Prof. Waldomiro Silva Filho, ao defender o voto no seu projeto de poder, alegando sua capacidade de “dialogar tranquilamente com pessoas de diferentes posições políticas”. É justamente essa “tranquilidade” que deveria nos intranquilizar – vez que não se trata, no caso da disputa pela Reitoria, de obter a vitória a qualquer custo, ainda mais a custa do atrelamento ideológico-partidário da Academia.

Talvez seja querer demais, mas penso que a Universidade deveria resistir à tentação de se deixar corromper pelo oportunismo eleitoreiro. A sociedade necessita de uma gestão universitária crítica aos desmandos governamentais que assistimos, por conta do silêncio de supostos intelectuais que servem não à sociedade, mas ao Partido, por adesistas que se fizeram.

Em sua resposta a mim dirigida o senhor mira exclusivamente na justificativa de suas opiniões quanto ao veto que fez, quando diretor da FFCH, à construção de uma residência universitária em terreno limítrofe às comunidades do Alto das Pombas e Calabar, de onde eu vim. A base do seu veto é aquilo que o senhor diz ser “a vizinhança do tráfico” [de drogas], afirmando inclusive que a área seria dominada por traficantes. Desculpe, mas o senhor estava, como ainda permanece, equivocado. E perdeu, com o veto, a oportunidade de fazer a Universidade dialogar melhor com a comunidade – que está ali muito antes do campus de São Lázaro.

A comunidade não é nem nunca foi dominada por traficantes. Eu e milhares de moradores não o somos nem aceitamos essa pecha – moto de todo o trabalho e toda a luta política que ali desenvolvemos, criando escolas modelos, grupos culturais, alternativas de geração de renda-emprego, grupos de mulheres e de jovens, equipes de esportes que disputam campeonatos regionais, estaduais e nacionais saindo-se vitoriosas.

O senhor perdeu a chance de rever a visão elitista e preconceituosa em relação a essas comunidades. Todas as manhãs que chego para dar aulas na Facom, ou à tarde ou à noite, quando saio, encontro pessoas no vão de entrada consumindo drogas tranquilamente. No campus de São Lázaro o senhor sabe que o mesmo ocorre, e na Politécnica, e nas áreas verdes dos PAFs etc. Essa droga não dá por geração espontânea nos campi da UFBA. Ainda assim, são os moradores do Calabar e do Alto das Pombas os responsáveis pelas disputas advindas da enorme demanda de gente diferenciada como nós, a inteligência que quer comandar a Reitoria… Como são as vítimas do genocídio que vimos nas últimas semanas as responsáveis por terem sido mortas, como cinicamente difunde o discurso oficial.

Desejo boa sorte à sua candidatura, candidato.

Fernando Conceição.

“O meu filho não merece isso…”

“… e, se meu filho não merece, também não merecem os estudantes da UFBa morar nas imediações do Calabar e do Alto das Pombas. Merecem morar em bairros nobres, bem localizados. Por isso me orgulho em ter vetado a construção de uma residência universitária no campus de São Lazaro, pois a localização escolhida não prestava!”. Esta foi parte da resposta do candidato a reitoria João Carlos Salles a minha pergunta quando visitou o Instituto de Matemática da UFBa*.

Pois bem. A avenida Garibaldi, o Campo Grande ou o Canela devem ser uns desses bairros nobres, mais seguros, certamente. Assim como comprovam os tristes assassinatos de alunos e professores neste lugares nos meses passados. Será que o candidato a reitor esqueceu que assaltos acontecem com maior frequência onde há mais din-din! Sendo portanto mais seguro morar no morro de São Lazaro, ao exemplo de uma amiga belga minha, que na Pituba! Parece ele também ter esquecido que a cidade de Salvador é feita de contraste, assim como esta de Rio de Janeiro, com bairros populares, comumente chamados de favelas, apoiado nos morros, cercando bairros de classe média e alta, muitas nas alturas destes mesmos morros. E que nem por isso, deixamos, nôs burgueses de classe média e alta, de morar nestes prédios luxuriantes, a vista das favelas.

Ora, pergunta-se qual melhor lugar que São Lazaro para alojar estudantes de São Lazaro? E se meu filho, estudante na UFBa, fosse do Calabar, mereceria morar aonde?

Nesta hora do debate, o candidato, pelo qual eu estava por enquanto inclinado a torcer, perdeu me voto. Para me confortar nesta minha viravolta, o candidato da Filosofia ainda afirmou estar a favor da manutenção da consulta eleitoral paritária baseado nos inscritos invés dos votantes. Atualmente, a regra de cálculo é simples. Cada colégio (41.000 mil alunos, 3.600 funcionários e 2.400 professores) tem peso um terço. Esta paridade bastante democrática é uma conquista recentes dos movimentos estudantis. No entanto, na prática, ela sofre o seguinte defeito que acaba prejudicando fortemente a capacidade de expressão dos estudantes: um voto dentro de um colégio é dividido pelo total dos inscritos. Desta forma, o peso real de cada colégio depende altamente da mobilização dos eleitores deste colégio. Suspiro! Pois, sabe-se que a comunidade estudantil, por razões óbvias e simples, mal chega a mobilizar um terço dos seus membros. Enquanto professores e servidores técnico-administrativos, por serem obrigados a presencia no seu lugar de trabalho., tendem a votar massivamente.

Aqui mais uma vez, o candidato parece ter esquecido, o talvez rompido com seu passado de militante de esquerda em luta para o fortalecimento da democracia. Pois segundo João Carlos Salles, não se deve mudar a regra para instaurar o quociente dos votos de cada colégio pelo total de votos expressos. O problema é dos estudantes se não conseguem se mobilizar! Que eles resolvam!

Mas se só fosse esquecimento, até que poderia se perdoar. Mas trata-se aqui de outra questão. Esta da dicotomia entre princípios e poder. O que há de comum entre os professores Antônio Camara, Celso Castro, Mauricio Barreto, Jailson de Andrade, Paulo Miguez…? Algum ideal de universidade baseados em princípios políticos historicamente defendidos ou um mero projeto de poder? A construção coletiva apresentada pelo candidato João Carlos Salles impressiona. Conseguiu agregar tudo e seu contrário. Do mais fiel defensor do Reuni a famosos opositores as políticas de quotas. Da esquerda mais radical aos conservadores mais elitistas desta nossa universidade. E o que será que une estas forças? Princípios políticos fundamentais, coerência histórica e social, projeto claro, transparente e diferente de construção uma universidade de todos e para todos?

Não. Infelizmente, não da para acreditar nesta ilusão. A coalizão em volta da candidatura deste militante político de longa data reproduz quase que fielmente a situação macro-politica da Bahia. Albino Rubim, Alice Portugal, Emiliano José, Marielena Chaui, Nelson Pelegrino, Olivia Santana, … Estes são alguns dos apoios recebidos por João Carlos e mediatizado, no melhor estilo da politica do espetáculo denunciado por Guy Debord, por uma chuva perfeitamente orquestrada de clips no Youtube. Acaso da vida, estes membros da aliança governistas amarrada ao poder desde 8 anos que apoiam João Carlos estão em plena campanha eleitoral. E um reitor eleito por tal aliança ainda terá independência para produzir criticas ao governo do Estado?

Ou será que o Reitor da Universidade Federal da Bahia não deve opinar sobre politicas regionais, nacionais e mundias? João Carlos está construindo coletivamente sua chegada ao poder. Parabéns. Mas o poder para que? Para não poder pensar livremente e criticar abertamente os desfuncionamento do Estado de Direito brasileiro? Para não poder gritar, no lugar dos sem vozes e dos silenciados, que o governo do estado é corresponsável pelo aumento escandalosos dos homicídios na Bahia? Para não poder afirmar que o desrespeito as categorias dos policiais e professores do Estado leva a greves e mortes? Para não poder chorar, pois estes mortes são, na sua extensa maioria pobre, pretos e da periferia?

 

NdeAA “verdadeira posição” de João Carlos Salles acabou de ser publicado em https://www.facebook.com/groups/165870313483419/permalink/648869541850158/  Não me parece ser tão diferente assim com o que tentei sintetizar, de memória, no primeiro parágrafo do texto, talvez de forma jornalistica demais…

E ainda falta a transcrição da resposta que João Carlos Salles fez as minhas perguntas (e não a esta da professora Debora Abdallah, alguns minutos depois).

 

Racismo brasileiro 2013: em Frankfurt e na Bahia. Esperança: em Sebastião Salgado e no Iran

fernandoconceicao

ssebastiaoDe passagem por São Paulo (a produção da biografia do geógrafo Milton Santos ainda me exigirá muita sola de sapato e grana) confiro “Genesis“, exposição no Sesc/Belenzinho de 245 fotografias de Sebastião Salgado, patrocinada pela companhia Vale. O livro, com mais do dobro das fotos, sai por R$ 150,00 nas livrarias.

Para mim Salgado, excelente, permanece controverso. Na linha de Pierre Verger. Explora, com estética e sensibilidade no olhar, o voyerismo pelo exotismo de gente curiosa por “selvagens” (povos ou animais) e lugares distantes. Provoca ohs! e ahs!, viciando a inércia. O voyer “civilizado” e urbano, incluindo o fotógrafo e a minha avó, morreria de tédio ou doença se forçado a viver no cotidiano das paisagens de Sebastião.

*

ReajaA Polícia Militar do governador Jaques Wagner/Otto Alencar é das mais mortíferas do planeta. Nem durante o tempo do reinado de Antonio Carlos Magalhães provocava tanto medo quanto na…

Ver o post original 844 mais palavras

Mobilidade: um bem público, direito de todos!

Impossibilitar a mobilidade dos cidadãos é a melhor forma de controle político-social para garantir o mantimento da ordem econômica e social, a qual tem muitas vezes a forma de um pseudo-apartheid racial no Brasil.

Pois, impedir “quem não tem” de transitar significa pelo menos dificultar, se não é, impedir, a participação de uma fração significativa da população nos movimentos sociais e políticos, tão necessários à respiração da democracia.

De fato, o exercício pleno da cidadania requer o acesso às organizações e instituições públicas, as quais se encontram muitas vezes nos centros das cidades, privando os moradores das regiões periféricas da possibilidade de exercitar seus direitos fundamentais a justiça, educação e saúde. Sem falar dos acessos ao mercado de trabalho e as atividades culturais.

De fato, pagar 2 passagens todo dia por mês significa gastar quase 1/3 de um salário mínimo. Ou seja, aqueles que não trabalham ou não ganham o suficiente são condenados a andar, pedalar ou ficar em casa.

No entanto, financiar o transporte público gratuito e de qualidade é possível, porém passa por medidas radicais e politicamente corajosas, para não dizer arriscadas (do ponto de visto daqueles que sempre querem se reeleger):

  • Desprivatizar as empresas de transportes; a mobilidade é um bem público! Não deve estar ao serviço do lucro de empresários;
  • Aumentar o imposto sobre a gasolina e o álcool para carros individuais. Tanto se fala em desenvolvimento sustentável, mas pouco se pratica!
  • Aumentar o IPTU das zonas residenciais de classe média e alta.
  • Aumentar as taxas sobre as vendas de carros privados. (Estas duas medidas são realmente corajosas e arriscadas!)
  • Viabilizar os transportes alternativos (bicicleta, VLT, metrô, pistas reservadas para ônibus,…);
  • Aumentar as taxações das transações financeiras internacionais e sobre a renda do capital;
  • Aumentar as áreas pedestres nas cidades e cobrar os estacionamentos públicos;
  • Criar pedágios (públicos!) ou aumentar o valor destes…

Estas são apenas algumas propostas que permitiriam financiar parte ou totalidade dos custos do transporte público.

Mas, será que a esquerda reformista ainda tem fôlego para adotar uma pauta igual ou parecida a esta? E será que adotando tal pauta, de forma séria e compromissada, o PT, ou qualquer outro partido da esquerda reformista não ficaria engrandecido, aos olhos de muitos daqueles que estão saindo para as ruas nos dias de hoje?

O respeito se conquista. Pelos fatos e atos.

E por enquanto, os atos recentes das esquerdas reformistas deixaram a desejar, pelo menos aos olhos de muitos, inclusive que contribuíram a chegada destas no poder.

O restabelecimento da confiança dos cidadãos nos partidos políticos e movimentos da sociedade civil organizada passa pela adoção de pautas e práticas radicalmente diferente, priorizando justiça e ecologia política!

Basta de produtivismo! Receber a copa do mundo, para, depois da copa, não ter nem hospitais nem escolas dignos, mas sim estádios lindos e vazios, isto certamente não é coragem, mas sim demagogia!

Paul Regnier, tentando ser cidadã, em qualquer lugar…

 

Após ler este post, um amigo me enviou este link: http://www.economist.com/blogs/gulliver/2013/06/fares

De fato, a gratuidade do transporte poderia até ser interessante economicamente.

Eleições na Facom: um olhar de Valmir Assunção, deputado federal

 

Fernando Conceição é candidato na Facom

 

Pela primeira vez a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom) terá um bate-chapa nas eleições diretas para diretor. E quem é protagonista nesse processo é o professor Fernando Conceição, 53, professor universitário e jornalista, que ao lado do decano da Facom, André Setaro, encabeça a chapa Preto no Branco, que pretende ser uma alternativa inovadora em todo o processo  da disputa com duas outras chapas concorrentes.

 

Preocupado com o que considera decante e em atrativos que permita a instituição dialogar com a comunidade, tanto acadêmica como fora dos muros da universidade, Fernando Conceição diz que a Facom precisa romper muros e ir dialogar com toda a Salvador. “É preciso que saiamos do isolamento e nos tornemos uma referência de parceria para a comunidade baiana”, diz, referindo-se à necessidade de atividades de extensão que transforme a faculdade em um espaço aberto a mostras de artes, cinema, fotografias, oficinas e festivais.

Valmir-MST

Nesse sentido Fernando vem buscando apoios fora dos limites da UFBA, como os movimentos sociais com os quais ele tem profundas relações e com lideranças políticas, como o deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), um dos principais líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). “A trajetória de luta de Fernando Conceição é conhecida não só junto aos movimentos negros, mas na própria universidade,, sendo pioneiro nos debates sobre as políticas públicas de ações afirmativas”, disse Valmir.

Fernando Conceição –  É jornalista formado na própria UFBA, em 1986. É professor-associado, pós-doutor na Alemanha e doutor em Ciências das Comunicações pela ECA/USP. É um dos fundadores do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade.

André Setaro – É decano, professor com mais tempo em atividade na Facom. É mestre e crítico de cinema e autor de diversos livros, crônicas e colunistas de vários jornais e portais brasileiros.

Violência Institucional na FACOM: uma retrospectiva oportuna

Ao conversar com um amigo professor hoje, comentei a eleição do próximo diretor na FACOM e apelei para o seu apoio ao candidato da Chapa Alternativa.

– “Ingerência aos assuntos internos da FACOM, não me parece viável.” me disse ele.

Cada um no seu quadrado, pensei. Não me dei por vencido. Insisti, argumentado da importância do quarto poder e da universalidade dos valores republicanos:

– “Mesmo que não votamos na FACOM, somos cidadão, livre de opinar e apoiar candidatos que nos animam.”

Meu amigo me disse então:

– “Mas justamente na FACOM? Não é nesta unidade que houve aquele caso de discriminação 5 anos atras? Fiquei chocado naquela época, com os “gritos” solitários de denuncia deste professor, na nossa lista internet, gritos sempre respondidos pelo echo silencioso dos seus pares da FACOM. Até me queimei ao defender este professor isolado, perto aos meus colegas, sem sequer conhecê-lo, mas por princípio. Pois o silêncio dos outros falava mais alto do que qualquer defesa!”

– “Pois então” eu disse ao meu amigo, “é este mesmo professor, Fernando Conceição, ontem vítima de uma caso de violência institucional explicita e escandalosa, que é candidato hoje! E com André Setaro como vice, viu!”

– “Ah! Mas neste caso é diferente. Apoio e com prazer.” respondeu ele…

Ao chegar em casa, me lembrei desta conversa e fui vasculhar os meus emails da época.  Pois, no meio do silêncio faconiano, houve um professor sim, já substituto deste mesmo Instituto de Matemática, que houve a ousadia de quebrar o silêncio, publicando na lista debate desta digna Universidade uma resposta às mensagens silenciadas de Fernando.

Eis ela, na integra, tal que escrita no dia 7 de julho de 2007 e publicada no dia 12 de agosto de 2007 na lista debates-l

Received: from 18913049064.user.veloxzone.com.br
(18913049064.user.veloxzone.com.br [189.13.49.64]) by http://www.webmail.ufba.br
(Horde MIME library) with HTTP; Sun, 12 Aug 2007 22:28:25 -0300
Message-ID: <20070812222825.satsv6m6ocwwg4ws@www.webmail.ufba.br>
Date: Sun, 12 Aug 2007 22:28:25 -0300
From: pregnier@ufba.br
To: debates-l@listas.ufba.br
Subject: Um caso exemplar de violência institucional na FACOM
MIME-Version: 1.0
Content-Type: text/plain;
charset=ISO-8859-1;
DelSp=”Yes”;
format=”flowed”
Content-Disposition: inline
Content-Transfer-Encoding: quoted-printable

Contextualização

No dia 6 de julho 2007, tive a oportunidade de testemunhar um dos casos mais explícitos de violência institucional da minha vida.

A violência institucional, por ser quase sempre indiretamente exercida, é bastante difícil de exemplificar. Mas, no caso da reunião extraordinária da congregação da FACOM, tivemos um exemplo característico de tal fenômeno, sob a forma da reunião de um conjunto de professores, para julgar os atos de um dos seus pares. A violência se deu pela união de todos os membros da congregação ali convocados contra o “acusado”. Este, ao contrário dos direitos elementares instituídos pela república, não teve nenhum defensor. Apesar de existir vários membros da FACOM que poderiam ter apresentado opiniões divergentes do conjunto unânime daqueles presentes, o “acusado” não teve a sorte que eles fossem autorizados a falar. Portanto, esta reunião de mais de duas horas se transformou numa longa defesa desesperada do “réu”. Por incrível que pareça, o “réu” era também o único professor negro presente na sala.
Ao sair da reunião, chorando, o “réu” deixou-me com um gosto de tristeza profunda e de revolta impotente. Decidi portanto, escrever uma carta aberta. Esperei até agora, a minha admissão na lista de debates da UFBA para poder mandá-la. É isto que eu faço hoje, com mais de um mês de atraso.

CARTA ABERTA

Ao assistir a reunião da congregação da FACOM ontem, acredito ter entendido melhor a situação na qual se encontra o Prof. Fernando Conceição.
Depois de ter sido descartado da coordenação do PET, já faz quase um ano, apesar do seu currículo e do seu envolvimento na FACOM desde vários anos, Fernando se indignou. Ao invés de encontrar o apoio esperado da direção da FACOM, eleita numa coalizão com Fernando, quando este ainda era chefe do departamento no seu segundo mandato, o Prof. Giovandro Ferreira, diretor da Faculdade, se mostrou o maior obstáculo à pretensão de Fernando em obter a coordenação do PET.
Assim, ao invés de procurar ajudar um professor competente, dedicado e politicamente aliado, Giovandro preferiu procurar os conselhos da procuradoria jurídica da UFBA para garantir a vitória do processo que Fernando abriu na justiça. De fato, a UFBA obteve satisfação e Fernando foi derrotado.

Mais uma vez indignado, Fernando decidiu divulgar estes acontecimentos através do vinculo de impressa o mais adequado que ele tinha à sua disposição. O espaço de livre debate e de publicações de opiniões que ele mesmo criou: isto é, o Jornal da FACOM. Só que aí, Fernando se enganou. O JF não é um espaço de livre debate e opinião. Pelo menos, não para as opiniões dele.
Portanto, o Prof. Fernando Conceição está sendo agora acusado de abuso de bens públicos. Porque escrever uma tribuna no JF, quando o autor desta é o próprio coordenador da disciplina que administra a produção do Jornal, é crime…
Parece até que Jean-Marie Colombani, diretor do “Le Monde” durante muitos anos, nunca escreveu um “editorial” daquele Jornal. Mas é verdade que “Le Monde” não é nenhum jornal laboratório de uma universidade federal numa província brasileira.
Observa-se que o Prof. Giovandro Ferreira cometeu este mesmo crime de “abuso de bens públicos”, ao publicar uma réplica no JF do mês seguinte. Apesar de não ser coordenador da disciplina de produção do JF, ele assinou como diretor da FACOM…

Além deste crime, Fernando é acusado pelo seus pares de usar nos seus pronunciamento públicos de termos não adequados com o estilo acadêmico. E isso motivou a reunião extraordinária da congregação da FACOM. Neste assunto, devo confessar minha incapacidade em competir com os colegas “lettrés” de Fernando para avaliar o estilo das suas comunicações. No entanto, posso testemunhar que o estilo de Fernando, acadêmico ou não, incomoda e já incomodou muito no passado, por exemplo:

– Quando ele articulou o movimento dos favelados de Salvador, a mais de 20 anos atrás;
– Quando ele foi expulsou do PT porque apoiou a candidatura de um negro não petista na Bahia;
– Quando ele defendeu, quase sozinho, o ato do Maksoud Plazza do 20 de novembro 1993, no memorial da América Latina, em frente a todos os movimentos negros de São Paulo;
– Quando ele sofreu uma quase expulsão da USP por suas pichações não acadêmicas nos muros do campus universitário a favor das quotas;
– Quando ele defendeu a idéia de reparações financeiras aos descendentes de africanos em vários fóruns nacionais e internacionais,
– Quando ele publicou várias matérias criticas e de denúncia no falecido jornal “Província da Bahia”;
– Quando ele continuamente publica em jornais de circulações regionais e nacionais, artigos que se recusam a apresentar opiniões banais…

A lista é longa, e certamente, desconheço ou esqueci a maioria das ocasiões nas quais o estilo arrogante, militante, critico, ético, em breve o estilo de “citoyen engagé dans l’acceptation sartrienne du terme” provocou a ira dos sujeitos dos pronunciamentos públicos de Fernando.

De fato, Fernando não costuma mastigar as suas palavras para dizer o que ele pensa. Isto certamente é crime.
Por este crime, peço que ele seja premiado !

Fernando, espero que apesar de tudo, você continue corrosivo e engajado, e que talvez um dia, a “academia” consiga contemplar a qualidade única dos seus pronunciamentos públicos.

Salvador, dia 7 de julho 2007
Paul Regnier,
Professor-substituto e mestrando na UFBA

—————————————————————-
Universidade Federal da Bahia – http://www.portal.ufba.br

$FACOM: Pesadelo para alguns, Sonhos de muitos! Porque não??

Os novos paradigmas da Luta pela igualdade e a distribuição mais justa dos bens públicos

Nos dias de hoje, Machiavel teria de concordar com Thucydide, o qual já dizia, há 25 séculos atrás: “O dinheiro é o nervo da guerra”, pois nada é mais justo quando aplicada às novas formas de “guerra” das democracias modernas. Entendes-se aqui, as lutas sociais, societais e políticas travadas pelos partidos e organizações da sociedade civil. De fato, dificilmente se luta de barriga vazia. Mas não é bem disso do que se trata aqui. No contexto das convergências tecno-científicas, da globalização da produção e da mercantilização dos bens materiais e imateriais, este provérbio ganhou uma nova dimensão impensada por muitos até então.

Para levar nosso leitor à intuição desta nova faceta desta frase tão antiga, vamos considerar três movimentos sociais recentes: o Movimento dos Favelados, o Movimento pelas Reparações e o Movimento Pró-Quotas. O laço invisível que reúne estes movimentos, e muitos outros, são as dinâmicas inovadoras e eficientes, inspiradas pelo “nervo da guerra”, que foram usadas para quebrar o “silêncio” das mídias.

Pois bem, a força da democracia republicana reside no equilíbrio dos três poderes: judiciário, legislativo e executivo. Porém, o quarto poder, a mídia, sofre uma tutela direta e sem vergonha por parte de algumas poucas empresas e famílias, servindo deste jeito aos interesses de uma das organizações politico-sociais a mais desigual do mundo. De fato, o papel da mídia não é pouco na manutenção do status-quo brasileiro, fazendo da violência, das drogas ilegais, do futebol e das religiões seus maiores aparatos, esquecendo, com muita insistência, seu papel essencial de controle eficiente e transparente das politicas públicas e dos seus articuladores, os movimentos sociais e os representantes eleitos do povo.

Em frente às impossibilidades de se romper o muro de silêncio e conseguir espaços e visibilidade no cenário nacional, movimentos, organizações, instituições e partidos multiplicam suas estratégias e formas de ações. Os mais desesperados fazem greve de fome enquanto os mais empoderados organizam mega-eventos e compram espaços nos veículos de comunicação para acenar suas mensagens às massas.

Ou seja, para se lutar, precisa de dinheiro. Isto, Thucydide já dizia. A novidade aqui é que se pode lutar com dinheiro virtual! E eis aqui o traço de união entre os nosso exemplos: reparações, quotas e favelas. Se não se tem o dinheiro na mão, pode-se futucar onde não se deve: na carteira dos que tem. Esta é a contribuição valiosa que Fernando Conceição (FC) trouxe para estes três movimentos e que permitiu a deflagração nas mídias nacionais brasileiras, omissas e silenciadas, de várias grandes ideias contemporâneas.

Assim se deu a denuncia pelo Movimento dos Favelados, cujo FC era uma das lideranças mais ativa, contra as especulações imobiliárias e falcatruas que levaram Mário Kertész a arrombar os cofres da prefeitura de Salvador. US$ 200 milhões mediaticamente denunciados, porém realmente roubados! Salvou-nos do ladrão se tornar governador.

Assim se deu a pendura no Maksoud Plaza de São Paulo no dia 19 de novembro de 2013, graças a qual 12 integrantes do Núcleo de Consciência Negra, liderado por FC, semearam a ideia das Reparações aos descentes de Africanos na mídia nacional. US$ 2000 virtuais, de comes e bebes, cujo o consumo pendurado, revelou o seguinte a nação brasileira: cada negro no Brasil tem direito de receber US$ 102 mil!

Assim se deu o debate sobre as cotas para afro-descendentes nas universidades, única medida prática capaz de derrubar um dos esquemas legais mais eficientes do mundo para a manutenção das desigualdades sociais. Fala-se da sinergia entre vestibulares dificilíssimos, cursinhos e escolas particulares caríssimos e escolas públicas em decadência. Queimas de pneus, sacrífices rituais na porta da reitoria da USP, protesto nu, pichação… Se não fosse o ilustre Milton Santos para lhe defender na USP, o então doutorando FC teria sido mera e simplesmente expulso desta instituição e não seria doutor hoje, nem tampouco candidato a direção da FACOM da UFBA.

Pois é. FC sempre soube que o nervo da guerra é a grana. Talvez porque sempre anda duro. Pois, que seja no Calabar, favela cunhada no meio dos bairros mais nobre de Salvador, na Flor do Engenho ou no Alto Ondina, FC nunca se nega a pagar a saideira. Mesmo que tenha que ir para casa andando depois! “Ter ou não ter? E se temos, porque não gastar?”

Recentemente, a ONG “Afirme-Se” ganhou um patrocínio de $R 500 mil da Petrobras para realizar a biografia de Milton Santos e mais de US$ 200 mil da Fundação Ford de apoio para pesquisar o tratamento de Negros, Índios e Ciganos pela mídia impressa brasileira. Dois projetos que FC concretizou. E ele? Continua na mesma simples arrogância contraditória, se dando ao luxo de comprar -em consórcio, pois banco emprestam à funcionários públicos- um carro zero -chinês, pois é mais barato- e publicando de forma transparente as contas dos seus vários projetos.

Desta relação desprendida com a grana, FC tirou sua estratégia moderna de luta e seu uso sempre renovado do maior símbolo mediático da época, o “US$” como a ponta mais afiada das suas facadas midiáticas. A mídia precisa de escândalo e sensacionalismo. Que seja! Vamos denunciar os US$ 200 milhões de rombo na prefeitura! Revelar os US$ 6 trilhões e tantos milhões (só ele lembra destes números) de reparações devidas ao povo negro no Brasil; exigir 50% de vagas nas Universidades Federais para negros!

Eis o nervo da guerra midiática. Eis a inteligência do nosso Zumbi dos Tempos Pós-Moderna. Sempre mexer no que mais doí. Na carteira, cheia de dólares, assim como nos privilégios da elite brasileira. Pelo menos, no discurso, pois numa democracia que garante o livre direito de expressão, o nosso grito solitário precisa quebrar o muro do silêncio que cala as maiorias. E para isso, usar-se da própria arma do mercado, o “US$”, permitiu a emergência, na raça, de ideias novas e radicais numa sociedade em mal de utopia.

Mas será que temos força e coragem hoje para enxergar os nossos heróis, de preferência antes deles morrer? E eleger Fernando Conceição, bem vivo, ao cargo de diretor da Faculdade de Comunicação? E amanhã, ao de Reitor da UFBA?